O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Momento poético


CONTO DE FADAS
Florbela Espanca


Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de ouro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."


segunda-feira, 24 de março de 2014

Música para os meus ouvidos


Monobloco é o máximo! Som de primeira para ninguém ficar parado e cair de corpo e alma no melhor do samba. 


Rir é o melhor remédio



segunda-feira, 17 de março de 2014

Ato político

Marco Weissheimer nos brinda com uma reflexão muita lúcida sobre o futuro e tarefas políticas não só do PT, mas das forças progressistas e do país ao longo de 2014. Nem tudo são flores, porém basta olhar para trás e para fora do país para perceber que já vivemos dias muito piores e que, graças aos investimentos do governo na última década e a força de todos os brasileiros, estamos melhores que muitas nações ditas como mais desenvolvidas que a nossa.

Tal comparativo nos permite perceber também que é mais fácil avançar nos novos desafios, mudanças e conquistas que os brasileiros pedem e precisam consolidando o projeto em curso no Brasil, ao invés de embarcar em alguma aventura ou retrocedendo ao velho jeito de governar que deixou nosso país para trás e com uma dívida social imensa.

Sim, nós podemos, ao contrário do que dizem os rebeldes sem causa e as forças do atraso. Então, "deixemos de coisa, cuidemos da vida", e vamos ADIANTE!

A responsabilidade histórica do PT na atual conjuntura, por Marco Weissheimer

O Brasil viverá uma encruzilhada em 2014. Não parece haver exagero em afirmar isso. Afinal de contas, no final do ano, saberemos todos se o país seguirá trilhando o caminho do projeto iniciado com o governo Lula, em 2003, ou se andará para outra direção. Não só o Brasil. O futuro político de toda a América Latina será influenciado pela eleição brasileira. Num certo sentido, o cenário é relativamente tranquilo para a reeleição do atual projeto. A presidenta Dilma Rousseff lidera com folga as pesquisas e recuperou os índices de popularidade de seu governo que sofreram um baque logo após os protestos de rua de junho de 2013. Em outro, porém, está longe de ser tranquilo. No meio do caminho tem um negócio chamado Copa do Mundo e movimentos de rua que pretendem inviabilizar a realização do evento ou, ao menos, criar um ambiente caótico, cujas repercussões políticas são imprevisíveis.

Os diversos grupos e movimentos que estão dispostos a sair para as ruas não tem nenhuma unidade programática. Há um pouco de tudo: anarquistas, direitistas, esquerdistas e uma miríade de outros istas. Todos dispostos a denunciar “tudo o que está aí”, justamente no momento em que o Brasil, tomando como comparação a sua própria trajetória, vive o melhor momento de sua história. Sobre esse ponto, vale recordar uma observação feita no ano passado por Flávio Koutzii, um militante histórico do PT e da esquerda latino-americana, com experiência e acúmulo em várias lutas, inclusive a armada:
“Um dos paradoxos da situação provocada pelos protestos de rua que sacudiram o Brasil nas últimas semanas é a impressão, estimulada por alguns setores bem identificados, de que o país estaria acabando quando, na verdade, está começando um novo ciclo, em um novo patamar. É claro que há problemas relativamente agudos na educação, na saúde e na segurança, mas não podemos fazer de conta de que não existiram os grandes avanços que o país teve nos últimos anos. Estou convencido de que esse é o melhor Brasil que nós temos depois da ditadura”. (Entrevista ao Sul21, 1º de julho de 2013)

A situação é paradoxal e contraditória mesmo. O Brasil nunca teve em sua história o conjunto de políticas sociais que têm hoje que, se por um lado, não são suficientes para resgatar as dívidas do Estado brasileiro para com seu povo, por outro, melhoraram objetivamente as condições de vida de milhões de pessoas. Lembrando as palavras da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campelo, no recente Fórum Social temático realizado em Porto Alegre, “estamos falando do poder transformador de uma infância sem fome, já são quase 12 anos de uma infância sem fome”. Mas, como se sabe, a gente não quer só comida e aí estão os enormes desafios a serem enfrentados no presente, como mostram as mobilizações envolvendo a situação do transporte público no Brasil.

E aí os paradoxos e contradições não são menores. Só há possibilidade de alterar qualitativamente para melhor a situação do transporte público no país com investimentos públicos maciços nesta área. Para isso, entre outras coisas, é preciso ter poderes públicos com capacidade de planejamento e execução, ou, em outras palavras, é preciso ter Estado com capacidade de investimento e planejamento. E, para ter um Estado com essas características, é preciso ter política, partidos e organizações sociais fortes e com inteligência suficiente para executar essa tarefa. O discurso anti-política, anti-representação e anti-tudo que ecoa em vários dos grupos que estão na rua conspira contra tudo isso e se alinha, objetivamente, aos partidários do Estado mínimo.

Esse é um dos grandes paradoxos que sobrevoa essas manifestações: elas podem tomar o rumo oposto do caminho que, supostamente, querem seguir. Não será exatamente uma novidade. A grande revolta popular no Egito, que levou muitos a saudar com entusiasmo uma Primavera Árabe, resultou numa ditadura e não mexeu na estrutura de poder econômico, político e militar do país. Os protestos de rua que sacodem a Ucrânia agora registram um crescimento expressivo de grupos neonazistas, ultra-nacionalistas e xenófobos. Isso não implica dizer que isso acontecerá aqui no Brasil também, mas recomenda, no mínimo, um pouco de prudência e cautela na hora de avaliar a conjuntura para evitar o risco de jogar fora o bebê com a água do banho.

Neste contexto, o PT tem um papel fundamental a cumprir. Afinal de contas, é o partido que lidera o projeto que vem sendo implementado no Brasil desde 2003. E terá que fazer isso (ou não) com todos os problemas que tem hoje: processo de burocratização, perda de quadros para a máquina estatal, mergulho no pragmatismo eleitoral, enfraquecimento da capacidade de formação e formulação política, etc., etc). Qualquer petista que conviva com a vida diária do partido sabe quais são esses problemas. Pode divergir, aqui e ali, quanto à intensidade dos mesmos, mas dificilmente quanto à sua existência. Mas o partido tem lá suas virtudes também e é com elas que pode contar para enfrentar essa situação repleta de paradoxos e contradições: está prestes a completar 34 anos de vida, o que significa uma experiência política que não deve ser desprezada, tem experiência de governo acumulada em todos os níveis e possui, com todos os problemas que enfrentou nos últimos anos, uma ampla base social e militante espalhada pelo país. Não é pouca coisa.

Talvez o principal desafio que o PT precisa enfrentar neste momento é sair da posição defensiva e reativa em relação aos protestos de rua. Em junho de 2013, isso foi até compreensível, pois o fenômeno pegou praticamente todo mundo de surpresa. Mas já não é mais uma novidade para ninguém. E ninguém poderá dizer que foi pego de surpresa com o que vier a acontecer este ano. O PT precisa voltar a ter voz, seus dirigentes, parlamentares e militantes mais experientes precisam falar, conversar aberta e francamente com a sociedade, defender o projeto em curso no Brasil, reconhecendo os problemas e buscando soluções em conjunto com a sociedade. Sair da posição defensiva e reativa é fundamental. O PT nasceu nas ruas, não é um território estranho para seus militantes e dirigentes.

Não se trata de disputar a direção dos movimentos que estão nas ruas. Nada disso. Trata-se de conversar com a sociedade, não por meio de notas burocráticas saídas de reuniões de diretórios e executivas, mas por meio da voz e da inteligência de seus melhores quadros, de respostas políticas cuja velocidade corresponda à dinâmica das ruas e da conjuntura.  O que o PT deve disputar nas ruas não é a direção de um movimento sem cara definida, com muitas caras, ou com máscaras e capuzes. O que o PT deve disputar nas ruas é o seu projeto, a sua história e o seu governo. Eventualmente, dependendo do andar da carruagem, terá que fazer isso inclusive contra anônimos, black blocks e outros bichos dessa fauna que já mostrou, em várias situações, que aposta na violência como o caminho para se seguir sabe lá para onde.

É o PT que tem que fazer isso, fundamentalmente, e buscar o apoio do máximo de aliados que puder. Esse é o papel de um partido dirigente. Não serão o PMDB, o PTB, o PSOL, o PSTU ou o PP que abraçarão essa bronca. Com crise de representação ou sem crise, com burocratização ou sem burocratização, com flacidez programática ou sem flacidez programática, os petistas precisam arregaçar as mangas, abrir o armário de sua experiência partidária, tirar de lá suas melhores roupas e fazer o que já fizeram várias vezes em sua história: política de alta intensidade em defesa de seu projeto. Ao fazer isso, não estará fazendo apenas por sua história, mas, principalmente, pelos milhões de pessoas que começaram a se tornar cidadãos de uma nação a partir de 2003. Estão aí seus principais aliados.


Artigo publicado no Sul 21, no dia 3 de fevereiro de 2014.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Cideja e Fórum de Desenvolvimento conquistam recursos em Brasília



As lideranças do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão – CIDEJA e do Fórum Regional de Desenvolvimento e Combate aos Efeitos das Estiagens, compostos pelos municípios de Candiota, Aceguá, Hulha Negra, Herval, Pedras Altas, Pinheiro Machado e Piratini, retornaram de Brasília animados com o compromisso de novos e importantes investimentos, previstos para se concretizarem nos próximos meses.

Em reunião realizada na última terça-feira de fevereiro, 25, com Walber Santana Santos, Diretor do Departamento de Gestão de Programas de Desenvolvimento Regional, da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional, foram encaminhados os seguintes investimentos oriundos do citado Ministério: R$ 1 milhão para custear o estudo técnico da Bacia do Rio Jaguarão, um investimento potencializador de outros investimentos na região; R$ 3,5 milhões para a compra de equipamentos destinados à bacia leiteira e R$ 3,5 milhões para serem aplicados em projetos de abastecimento de água na zona rural.

Os recursos deverão ser direcionados ao CIDEJA e irão beneficiar os sete municípios integrantes do Consórcio. As demandas apresentadas contaram com o apoio e o trabalho de articulação política feito pelo deputado federal Dionilso Marcon (PT), que também esteve presente na reunião.

Segundo o Secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda, “a perspectiva desses investimentos é algo que precisa ser comemorado, sendo que essa conquista é fruto da intensa mobilização e organização do CIDEJA e do Fórum de Desenvolvimento, assim como do compromisso do governo da presidenta Dilma de investir no desenvolvimento dos municípios”, enfatizou.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Momento poético



Vice-presidente da República apoia inclusão da Transcampesina no PAC 3


O Secretário de Planejamento, Toninho Veleda, e o Presidente do Legislativo Municipal, Valmir Miliorança, participaram de audiência com o vice-presidente da República, Michel Temer, na última quinta-feira, 27, em Brasília.

Na ocasião, as autoridades municipais integraram a comitiva do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão – CIDEJA e do Fórum Regional de Desenvolvimento e Combate aos Efeitos das Estiagens, composta pelos municípios de Candiota, Aceguá, Hulha Negra, Herval, Pedras Altas, Pinheiro Machado e Piratini.

A reunião teve como objetivo apresentar o projeto e solicitar o apoio do vice-presidente para a inclusão da construção da Transcampesina – ligação asfáltica entre os municípios de Herval e Aceguá –, no PAC 3, que será lançado pela Presidenta Dilma Rousseff nos próximos meses.

Diante da importância do projeto, o vice-presidente assumiu o compromisso de trabalhar política e tecnicamente no interior do governo para garantir a inclusão da Transcampesina no PAC 3.

De acordo com Temer, “a Transcampesina é de extrema importância para acelerar o desenvolvimento econômico e social da Metade Sul do RS, como também se tornar um corredor de interligação do Brasil com o Uruguai, ligando a região por um lado ao Porto de Rio Grande e por outro, a capital Uruguaia Montevidéu. Além disso, o governo federal, através da Eletrobras, vem investindo na construção da interligação elétrica Brasil-Uruguai, partindo de Candiota, passando por Aceguá (em trechos da Transcampesina) e indo até Mello, em território uruguaio. Portanto, esse investimento pode e deve ‘puxar’ e reforçar o investimento na Transcampesina”, salientou.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Autorretrato


"Yo" e Michel Temer, vice-presidente da República, durante audiência semana passada em Brasília

terça-feira, 4 de março de 2014

Música para os meus ouvidos


Simplesmente sensacional o som de Mariana Aydar...



Viva a mudança!

Danéris defende que o alinhamento das estrelas segue forte

Por Alexandre Leboutte, Jornal do Comércio

Ao ser confrontado com a dificuldade que vem enfrentando o governador Tarso Genro (PT) nas articulações empreendidas em Brasília para destravar a votação do projeto que altera o indexador das dívidas de estados e municípios com a União, o secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo do Estado - mais conhecido como Conselhão -, Marcelo Danéris (PT), demonstra otimismo. Danéris lembra que o projeto é de autoria do governo federal, que estaria apenas aguardando um momento mais adequado para a votação, como forma de evitar um possível ataque especulativo ao Brasil. O petista argumenta que a tese de campanha usada em 2010, do chamado ‘alinhamento das estrelas’, “está funcionando bem”, e enumera um conjunto de indicadores econômicos do Rio Grande do Sul, que seriam resultantes da sintonia na relação entre o governo gaúcho e o Palácio do Planalto.

O secretário avalia o cenário eleitoral gaúcho, afirmando que “quem concorre não escolhe adversário” e que o grande embate se dará entre um modelo que aceita aumentar gastos, como forma de induzir o desenvolvimento, em oposição a legendas que propagam a ideia de uma gestão fiscal mais ortodoxa.

“Eles querem voltar ao programa anterior de déficit zero, que precarizou a saúde, a educação... Não importa se o candidato vai ser o Sartori (ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, do PMDB), ou a Ana Amélia (senadora do PP), quem vai representar esse projeto de redução do Estado contraposto ao nosso”, diz o petista, ao comentar o discurso que vem sendo proferido por integrantes dos partidos de oposição a Tarso.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Danéris também fala dos recorrentes condicionamentos impostos por Tarso para ser candidato à reeleição, da política de alianças, da CPI da Energia Elétrica e da experiência do Conselhão, entre outros temas.

Jornal do Comércio - O governo federal vem impedindo a votação, no Senado, do projeto que muda o indexador da dívida dos estados e municípios. O governador Tarso Genro (PT) é um dos principais articuladores para que a proposta seja votada. O chamado ‘alinhamento das estrelas’ não está funcionando?

Marcelo Danéris - Ele está funcionando e está funcionando bem. O Rio Grande do Sul começou a dar uma virada. Retomou o crescimento em todos os indicadores. Se pegarmos o PIB, vai dar mais de 6%; se pegarmos o crescimento das exportações, está na faixa dos 40%; o crescimento da indústria está acima da média nacional, com 6,8%; somos o segundo Estado em geração de empregos do País; a safra agrícola bateu recorde e continua com a expectativa de uma boa safra esse ano. Então, se pegarmos todos os indicadores econômicos do Rio Grande do Sul, todos são positivos. Por dois motivos: pela nossa gente que é empreendedora, que acredita, que investe, e porque tem um Estado indutor do desenvolvimento, com o Fundopen, o Plano Safra, o microcrédito, a Sala do Investidor, com uma política industrial, uma política de distribuição de renda, o piso regional e o RS Mais Igual.

JC - E o alinhamento das estrelas?

Danéris - Há uma nova relação nacional e internacional. Está a olhos vistos, quando temos aqui Mitsubishi, Hyundai, uma série de investimentos internacionais, também decorrência de uma relação nova internacional. Visitamos Inglaterra, Espanha, Portugal, países da África, China, Uruguai, Argentina, passamos por tudo e todos com retorno. No âmbito nacional, somos o terceiro Estado que mais captou recursos do PAC. É aqui no Rio Grande do Sul que a Dilma estava inaugurando a BR-448 recentemente, que acabou de fechar o projeto para a segunda ponte do Guaíba. Todos investimentos em saneamento, todos programas com contrapartida, bolsa na área de segurança para capacitação para Copa, todas essas relações com o governo federal só mostram que as portas estão abertas.

JC - E a dívida?

Danéris - Aí há um entendimento tático diferente. O governo federal entende que, por conta da macroeconomia, do cenário internacional, da especulação que estão fazendo nos países emergentes... O que a Europa e os Estados Unidos estão fazendo? Para manter seus investidores, porque eles estão tentando sair de uma crise e acham que é o momento de dar uma virada, eles lançaram uma especulação, que a África está mal, que o Brics está mal, que o Brasil está mal... Então, há um ataque especulativo, onde as agências de risco cumprem um papel fundamental para criar um ambiente de crise econômica.

JC - Mas o governador discorda dessa opinião...

Danéris - Sim, discorda. Não há discordância no mérito, que é preciso alterar a dívida, tanto que o projeto é do governo federal, não é de iniciativa nossa, não é dos senadores, não é da base do governo. O governo federal entende que, taticamente, por conta do mercado internacional, é preciso esperar mais um tempo. O que estamos dizendo? Que não é necessário. Aí é que eu digo que há uma diferença de opinião tática, não de identidade política. O alinhamento está dado igual.

JC - Tarso já disse que não será candidato à reeleição se o projeto da dívida não for aprovado...

Danéris - Ele já colocou essa condição, já disse também que esse tema eleitoral e das candidaturas não deve ser discutido agora. Agora, a ideia é de uma unidade do Estado, das forças políticas, independente de partidos, de interesses sociais e econômicos, para votação do projeto.

JC - Na hipótese de não se conseguir votar o projeto esse ano, o PT teria um plano B para substituir o nome de Tarso?

Danéris - Mas nós vamos conseguir, nós vamos votar.

JC - Tarso também disse que se a presidente definir frequentar mais de um palanque no Estado ou um palanque com vários partidos da base nacional dela, ele comunicaria ao partido que não seria o melhor candidato. Como vê essa postura?

Danéris - Achamos que o palanque da presidenta Dilma é o palanque do governador Tarso Genro. É o candidato do PT, que é do partido da presidenta, é a candidatura que representa o mesmo projeto a nível nacional e é a candidatura que, desde 2010, nós trabalhamos juntos com essa identidade programática.

JC - Esses condicionantes que Tarso está impondo para a reeleição não dificultam a política de alianças aqui no Estado, por não confirmar que será candidato?

Danéris - Não, tanto que, só para lembrar, a gente tinha uma aliança (em 2010) que era PT, PSB, PCdoB e o PPL, que na época não era formalizado. Assim que nós vencemos as eleições, fizemos um governo de coalizão, uma composição onde entrou o PDT e o PTB. Nossa aliança, que está ficando para as eleições, tem o PCdoB e o PTB, mais agora o PPL que é um partido formalizado, PR e PRB, que estão conversando com a gente, participam do governo. Seis partidos que têm força e expressão nos parlamentos, com base social, prefeitos etc. Então, se compararmos com 2010, a condição da aliança é ainda mais ampla.

JC - Como estão as discussões para compor a chapa majoritária?

Danéris - Estamos nesse processo de conversação, negociações. Queremos a chapa mais ampla possível. O PCdoB indicou o nome da Emília Fernandes para o Senado. Estamos conversando até com os outros partidos... O PTB, a tendência é indicar o nome do vice. Há a possibilidade que o próprio governador já tratou do Zambiasi (ex-senador Sérgio Zambiasi), que ainda tem idas e vindas...

JC - Acredita nessa possibilidade?

Danéris - Temos que respeitar o tempo do Zambiasi. Se ele estiver disposto - ele está em processo de reflexão -, se ele quiser, obviamente, será muito bom para nós. Mas o PTB tem outros quadros fortes que poderiam cumprir essa função de vice.

JC - Quem deve ser o adversário mais difícil para um eventual segundo turno?

Danéris - Quem concorre não escolhe adversário. Não vou escolher o adversário. O que acho é que o centro do debate é: qual é o projeto que a oposição tem para o Estado? Nós temos um muito claro. Dissemos que o Estado tem que recuperar suas funções públicas, por isso reorientamos os recursos para reorganizá-lo. O salário dos servidores, secretarias afins ao que interessa, políticas para as mulheres, desenvolvimento rural, assim por diante. Fomos buscar a receita, financiamento para investimentos, ou seja, fizemos uma reestruturação do Estado e não perseguimos o déficit zero. Por isso conseguimos os 12% na saúde, 31% na educação. Há uma escolha política. O Estado é indutor do desenvolvimento, essa é a nossa visão. É uma visão de distribuição de renda, que se consegue gerar crescimento econômico. Esse é o projeto. Qual é o projeto deles? O discurso do PP é de que vai reduzir o Estado, que a gente gasta demais, eu me preocupo com esse debate...

JC - Na Assembleia Legislativa, não só o PP, mas o PMDB e o PSDB têm dito que a atual gestão está inviabilizando os próximos governos com o endividamento do Estado.

Danéris - Porque eles têm a visão de um Estado mínimo, e esse debate vai ser bom. Mas eles precisam dizer claramente qual é o Estado que eles querem? É o mesmo Estado de antes? Eu acho que o Rio Grande do Sul não volta atrás. Nós começamos a crescer sem comprometer saúde, educação, qualidade dos serviços. Eles querem voltar ao programa anterior de déficit zero, que precarizou a saúde, a educação... Só está faltando dizer claramente isso para o povo gaúcho, porque é esse modelo que vai estar em debate. Não importa se o candidato vai ser o Sartori (ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, do PMDB), ou a Ana Amélia (PP), quem vai representar esse projeto de redução do Estado contraposto ao nosso. Quem vai representar o projeto e dizer claramente? Eu vi a propaganda do PP, que vai reduzir CCs (cargos de confiança), servidores e reduzir o Estado. Depois o Celso Bernardi (presidente estadual do PP) dizendo que a gente gasta demais. Mas gasta onde? Na saúde que foi 12%? Na educação que foi 31%? Na infraestrutura que nós estamos melhorando o salário de servidores? Onde estamos gastando demais, que ele quer cortar? Investimento? Salário do servidor? Saúde? Educação? Infraestrutura do Estado?  Então vai voltar o programa da Yeda (ex-governadora Yeda Crusius, do PSDB - 2007-2010).

JC - Teme que manifestações contra a Copa comprometam a popularidade da presidente Dilma, como no ano passado?

Danéris - Ela teve uma queda quando começaram as manifestações, mas, conforme ela foi se pronunciando e mostrando coisas do governo, voltou aos patamares anteriores. Agora, hoje e desde outubro do ano passado, ela estava à frente em qualquer pesquisa. Aqui no Rio Grande do Sul, só para transferir para cá, nós temos mecanismos de diálogo direto, Conselhão, Gabinete Digital, Orçamento Participativo que foram reconhecidos inclusive pelos manifestantes, que, com razão, cobram coisas, mas que também reconhecem que tem canais para conversar com a gente. E o tema do Passe Livre, que era a grande demanda, nós aprovamos na Assembleia Legislativa com um projeto que foi construído, inclusive, com os manifestantes.

JC - A CPI da Energia Elétrica pode atrapalhar a imagem do governo do Estado, por conta da CEEE?

Danéris - Não, ao contrário. Acho que a CPI vai nos ajudar a fazer propaganda do que acabei de falar sobre a recuperação das funções públicas do Estado. Apoiamos a CPI, assinamos a CPI, com orientação do próprio governador. Porque queremos saber quem foram os responsáveis pela privatização da CEEE, que dividiu a empresa em três partes e as duas melhores partes passaram para a iniciativa privada e todos os problemas de dívida ficaram com o Estado.

JC - O que o Conselhão auxiliou na gestão do Estado nesses três anos?

Danéris - Acho que um grande paradigma que o Conselhão quebrou, positivamente, e que no Rio Grande do Sul tudo é polarizado, é grenalizado, que as pessoas não têm disposição de sentar democraticamente para dialogar e tentar uma solução comum. O Conselhão conseguiu fazer isso. A Farsul e o MST, por exemplo, sentaram e discutiram o tema da agricultura.

Perfil

Marcelo Danéris tem 43 anos. Natural de Bagé, veio para Porto Alegre em 1975, quando tinha cinco anos. Músico, com formação autodidata, exerceu a profissão dos 19 aos 28 anos. Filiou-se ao PT em 1995, influenciado pela esposa, que já militava no partido, participando da tendência Esquerda Democrática. Em 1998, passou a assessorar o hoje deputado federal Henrique Fontana. Ao mesmo tempo, assumiu a presidência de uma zonal do PT e ingressou no curso de História da Ufrgs - concluído em 2008. Assumiu a cadeira de vereador na Câmara Municipal de Porto Alegre em duas legislaturas: entre 2001 e 2004 e 2007 e 2008. No primeiro mandato na Câmara Municipal, foi líder do governo João Verle (PT) entre 2002 e 2003.

Em 2008, licenciou-se do cargo de presidente municipal do PT para concorrer a vice-prefeito na chapa encabeçada pela então deputada federal Maria do Rosário - que foi derrotada por José Fogaça (PMDB). Entre 2010 e 2011, Danéris concluiu o mestrado em Ciência Política, área também de seu doutorado. Foi um dos coordenadores do programa de governo de Tarso Genro e, desde 2011, é secretário-executivo do Conselhão.

Fonte: Jornal do Comércio, 24/02/2014

Foto: Jonathan Heckler/JC

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