quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ato político




"Ato político" nos trás uma reflexão dura, porém necessária, assinada por Marcel Frison a cerca da celeuma midiática armada a partir da situação calamitosa em que se encontra o Presídio Central. Diante de tal artigo só me resta acrescentar uma palavra, dizendo como é espantosa essa capacidade da mídia e de alguns sujeitos midiáticos de simplificarem grotescamente o complexo ou de matarem e depois chorarem no velório. Uma capacidade que beira à psicopatia ou quem sabe ao cinismo puro e escancarado, ainda que apresentada com ares de neutra bondade.


VERGONHAS

Por Marcel Frison
Membro do Diretório Nacional do PT


“Em artigo publicado no jornal ZH do dia 13/04/2012, o colunista David Coimbra, remetendo-se à matéria jornalística relativa ao Presídio Central, questiona o Governador Tarso Genro se ele não tem vergonha desta situação. Depois discorre com a elegância literária que lhe é peculiar sobre suas preocupações humanistas a respeito das condições precárias em que vivem os apenados no sistema prisional do RS.”

Leia na íntegra
Segundo suas palavras: “O Estado que o senhor governa confina seres humanos em masmorras onde fezes e urina escorrem pelas paredes, onde dezenas de pessoas se amontoam em cubículos do tamanho de um banheiro, mal havendo lugar para dormir no chão, onde a sífilis, a hepatite e a AIDS são disseminadas através do estupro …”

Interessante que os sentimentos humanitários do colunista tem memória seletiva e moral relativa. Ao deparar-se com o artigo, o leitor tem a nítida impressão de que o Central foi fundado no dia 1º de janeiro de 2011, quando Tarso assumiu o Piratini, e já foi construído com excrementos esvaindo-se pelas paredes. No dia 02/01/2011, ao chegarem os primeiros ocupantes do Presídio, inaugurou-se também, como prática cotidiana, o estupro entre os aprisionados.

A última reforma do Presídio Central foi realizada pelo Governo Olívio, na época a SUSEPE era dirigida por Airton Michels, atual, Secretário Estadual de Segurança Pública. Aliás para rememorar, a gestão de Michels, interrompeu o ciclo de crises e revoltas nos presídios gaúchos que herdamos da era Britto.

Aquela reforma atingiu 85% das instalações, porém com 08 anos de abandono e descaso, dos Governos Rigotto e Yeda, o trabalho realizado foi completamente perdido.

A decadência do Central não foi a obra mais eloquente destes governos na gestão do sistema prisional. Olívio e Michels entregaram o sistema para Rigotto com um déficit de 2 mil vagas, Yeda entregou para Tarso com um déficit de 10 mil vagas.

Esta é uma das pontas do nebuloso iceberg gerado pela inoperância de Rigotto e pela política de ajuste autodenominada Déficit Zero tão propalada por Yeda e comemorada pela mídia em geral. O Zero no saldo das contas públicas significou zero de investimentos em áreas cruciais sob responsabilidade do Estado. Este Zero estoura numa superlotação de 10 mil apenados que vivem miseravelmente nos nossos presídios. O Zero gerou as escolas de lata, a enturmação, a falta de professores e o fechamento de escolas. Quantos milhares de soldados a criminalidade ganhou com esta política?

Seria o Governo Yeda, um governo “sem-vergonha”? O colunista não aborda esta questão, parece que ele não lembra, não sabe e não viu.

As vergonhas do sistema prisional do RS foram, para ele, desnudadas somente agora, e atônito, estupefato, indignado encontrou imediatamente um culpado e uma solução.

O culpado aparece explícito: “Governador Tarso Genro o senhor não tem vergonha?”A solução é desenhada, digamos, de forma mais comedida: “ Tempos atrás, surgiu a proposta de privatização dos presídios. Houve todo tipo de argumentos humanitários contra a ideia. Seriam bons argumentos, se os gestores do sistema, entre eles o governador, sentissem vergonha pelo que é perpetrado contra esses homens. Se movidos por essa vergonha, os gestores do sistema agissem com urgência para impedir que o Estado continuasse a supliciar homens sob sua tutela. Como ninguém sente vergonha, nem age, o Estado tem a obrigação de desistir desta tarefa e entregá-la para quem possa cumpri-la a contento…” (grifos meus)

Ou seja, a saída é a privatização, o anacrônico discurso neoliberal volta à tona em meio as brumas de uma prosa rebuscada.

A velha e carcomida cantilena que reduz o setor público a um pântano de ineficiência e incompetência, ante a apologia da iniciativa privada donde reluz uma eficácia infinita e se constitui como panaceia para todos os nossos males.

Na verdade uma falsa dicotomia derivada de uma análise tortuosa que abstrai o passado, desconsidera as circunstâncias e busca comparar atividades de naturezas completamente distintas, a fim de sustentar uma compreensão, meramente, ideológica.

Tudo bem se isto não estivesse envolto numa suposta isenção, incansavelmente, reivindicada pelos veículos de comunicação do grupo em que trabalha Coimbra e constituída como uma fortaleza que justifica toda a sorte de ataques na disputa política no Rio Grande.

Se esta compreensão ideológica não bebesse da mesma vertente que defende a criminalização dos movimentos sociais, a penalização de crianças e adolescentes, o alongamento dos períodos de reclusão, a pena de morte, o armamento da população, e pior, transforma, cotidianamente, a luta pela defesa dos direitos humanos num fantasma que opera subterraneamente a proteção de delinquentes e bandidos.

Na verdade, o ataque a Tarso não é por sua condição de Governador, como o artigo em tela pode sugerir, mas por que em grande medida sua trajetória política voltou-se a promover uma gestão sobre a segurança pública antagônica daquilo que os setores conservadores sustentam. Uma política de segurança pública voltada à prevenção, à proteção das comunidades, à repressão eficiente sobre a criminalidade e com profundo respeito aos direitos humanos.

É evidente que a situação do nosso sistema prisional é caótica, que a superação dos problemas representa um desafio gigantesco e será necessário alcançar recursos vultosos e um trabalho intenso para a sua recuperação. Um trabalho que já iniciou e ao seu tempo trará resultados consistentes.

O que certamente não contribuirá para a solução é tornar o problema um negócio. A equação sugerida por Coimbra “…desistir desta tarefa e entregá-la para quem possa cumpri-la a contento…”não existe, salvo como uma retórica cínica. O Estado não pode abrir mão da tutela daqueles que pune. Nenhuma empresa terá a prerrogativa de restringir a liberdade ou garantir a segurança nas prisões.

Então do que estamos tratando? Não seria o sonho neoliberal, muitas vezes, acalentado pelo imaginário de filmes de ficção, de modernas e assépticas prisões sustentadas pela exploração da mão de obra lá reclusa? Sem possibilidade de escolha e sob o garrote de um proprietário. Uma “evolução” do atual “suplício medieval” para uma escravidão pós-moderna. De uma vergonha para outra, a primeira perdulária para todos, a segunda lucrativa para poucos.

O dilema de enfrentar a criminalidade e as suas consequências, numa sociedade profundamente desigual como a nossa, nos exigirá um enorme esforço conjunto, um debate honesto e profundo, que nos ilumine o caminho para as soluções. Será necessário sim, encarar todas as nossas vergonhas.

Inclusive, na toada de David Coimbra, aquela de convivermos com setores da imprensa que tratam assuntos tão delicados e complexos com tamanha superficialidade; que demonstram ávida necessidade de atrelar-se a interesses privados; que se escondem sob o manto de uma imparcialidade autoconcedida e de seu poderio midiático para produzir factoides que lhes incrementam as vendas e são uteis na disputa ideológica a que se dedicam sem tréguas.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Momento poético




ELOGIO DO MAL
(Paulo Henriques Britto)


1


A uma certa distância
todas as formas são boas.
Em cada coisa, um desvão;
Em cada desvão não há nada.


À mão direita, a explicação
perfeita das coisas. À esquerda,
a certeza do inútil de tudo.
Ter duas mãos é muito pouco.


Por isso, por isso os nomes,
os nomes que embebem o mundo,
e os verbos se fazem carne,
e os adjetivos bárbaros.


2


O mundo se gasta aos poucos.
A coisa se basta a si mesma,
mas não basta ao que pensa
um mundo atulhado de coisas


que se apagam sem pudor,
que se deixam dissipar
como quem não quer nada.
Existir é muito pouco.


Por isso, por isso os nomes,
os nomes que se engastam nas coisas
e sugam o sangue de tudo
e sobrevivem ao bagaço


e negam a tudo o direito
de só durar o que é duro,
e roubam do mundo a paz
de não querer dizer nada.


3


Bendita a boca,
essa ferida funda e má.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

Parada pedagógica


Quem acompanha meus passos mais de perto sabe que estou a cursar a faculdade de pedagogia da UFPEL, na modalidade à distância, junto ao Polo da UAB em Herval. Pois bem, como o blog tem o propósito de abordar as coisas da vida interiorana e dos meus interiores, senti a necessidade de utilizá-lo para trazer elementos, falas e reflexões de cunho eminentemente pedagógico.

Para dar a largada, compartilho com vocês um momento brilhante do sempre brilhante e inesquecível Paulo Freire...





Altas conexões





quinta-feira, 19 de abril de 2012

Herval garante recursos para mais investimentos em redes de água





Os produtores assentados, que nos últimos anos vem sofrendo com os efeitos danosos da estiagem, têm agora um forte motivo para se alegrar. Isto porque o município acaba de ser contemplado com mais um projeto para levar redes de abastecimento de água aos assentamentos Nova Herval, XV de Outubro e Bamburral.

Antes já estavam assegurados os recursos para levar redes de água aos assentamentos Santa Rita III, São Virgílio e Cerro Azul, num investimento de mais de R$ 2 milhões oriundos do PAC II, por intermédio da Funasa. O total do investimento anunciado nos últimos dias supera os R$ 2,9 milhões, sendo os recursos provenientes do Ministério da Integração Nacional.

Segundo o prefeito Ildo Sallaberry (PP), trata-se de um investimento magnífico e muito aguardado. Para ele, "a questão da estiagem e da água nas propriedades rurais precisa ser tratada não mais como política emergencial, mas com medidas como essa que irão enfrentar o problema da estiagem pela raiz, garantindo o abastecimento permanente de água para o consumo humano diretamente na casa dos beneficiários nos locais contemplados com o projeto", disse.

O Secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda, destaca a importante atuação do Incra nesta conquista, órgão responsável pela elaboração do projeto técnico, a presença forte do governo federal junto aos municípios no sentido de oferecer soluções definitivas aos problemas que afligem à população, além da contribuição dada pelo deputado Marcon (PT) que incluiu esta demanda como prioridade na sua pauta de atuação. O Secretário ainda destaca a forte mobilização dos movimentos sociais, em especial do MST, em torno desta demanda. "Quando existe mobilização social, vontade política e capacidade administrativa as coisas avançam", argumentou Toninho.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Túnel do tempo


Neste mês em que o jornal O Herval completa 20 anos de fundação, quero utilizar o espaço e a projeção do blog para fazer uma singela homenagem a este periódico que eleva e leva o nome de Herval para o Rio Grande do Sul, o Brasil e o mundo.

Neste sentido, promovo a estréia do espaço que vou denominar “túnel do tempo” e que servirá para trazer à tona novamente algumas notícias que foram destaque em O Herval ao longo da sua existência.

Portanto, sintam-se todos convidados para esta breve viagem no tempo que, nada mais é, do que uma carona que se pega no importante registro da nossa história que vem sendo feito pelo O Herval. Com vocês “túnel do tempo”...

 



 
 

Música para os meus ouvidos


"Música para os meus ouvidos" trás novamente a genialidade de Cartola. Um gênio que fez a passagem para andares mais altos e belos quase sem nenhuma grana no bolso e sem ter seu talento reconhecido, o que é mais dolorido. Ainda bem que os gênios são eternos e se alimentam de coisas que vão muito além dos ganhos materiais.
O que encomoda é ver trastes como Michel Teló ser tratados como grandes talentos, enquanto que talentos de fato são ou foram relegados ao abandono, quando não ao anonimato.
Mas deixemos de choramingos e gritemos vivas a Cartola!!!





terça-feira, 17 de abril de 2012

O progresso contra o atraso





Quem vê a genialidade e as peripécias de Lionel Messi imagina que é fácil ser gênio e fazer peripécias nos gramados. Quem se encanta com a beleza de uma Juliana Paes tende a acreditar que beleza física é tão democrática como o sol que nasceu para todos indistintamente. Faço esse paralelo para contrapor o discurso dos oposicionistas que, agora que “a casa foi arrumada”, posam de vestais e passeiam pelas ruas com ares de figuras públicas competentes e dedicadas, como se a bagunça que deixaram ao nível da administração municipal nunca tivesse existido.

A primeira pergunta que surge diante desta postura é a seguinte: se administrar é tão fácil, por que as mesmas figuras que agora bradam na oposição, tiveram um desempenho vexatório enquanto estavam no governo? Ou estas distintas criaturas ficaram cegas, surdas e mudas com o poder e somente agora recuperam os sentidos e o juízo? Outra pergunta: se as vozes que agora gritam por mais e melhor governo são tão lúcidas, acertadas e bem intencionadas, por que tentam desesperadamente minimizar ou mesmo negar os feitos do atual governo e, além disso, não oferecem nada para colocar em seu lugar, a não ser a crítica pela crítica?

Agora que a prefeitura recuperou o crédito e a capacidade de realização parece que essa conquista foi um lance de sorte ou mera obra do acaso. É como se alguém tivesse ateado fogo na cidade, ao invés de apagá-lo ficasse ateando ainda mais fogo e, de repente, se apresentasse com pinta e credencias falsas de bombeiro. Quanta arrogância! Somente um cego ou uma mente muito fanatizada para não reconhecer primeiro as inúmeras conquistas deste governo e depois que elas são fruto do trabalho exaustivo e do enorme talento da gestão em curso. Não se está aqui a dizer que o governo é perfeito e que os problemas estão todos resolvidos. O que se diz, sem medo de errar ou ser feliz, é que comparativamente aos últimos governos e, sobretudo, ao que o antecedeu, o governo atual fez muito mais e para mais hervalenses.

Quem não lembra do vale-alimentação dos servidores, uma novela que se arrastava há anos e que acabou ganhando contornos dramáticos com a tentativa feita pela administração anterior de acabar com a lei que assegurava este direito aos servidores? Pois o prefeito Ildo não apenas manteve a lei de pé, como retomou o pagamento deste beneficio que se encontrava suspenso. E mais: está quitando os atrasados. Outra novela de anos era o básico dos servidores. Aqui novamente o chefe do Poder Executivo agiu com presteza e ousadia e garantiu o que parecia impossível: a elevação do básico como primeiro passo da recuperação salarial do funcionalismo público municipal. Por outro lado, o prefeito nunca deixou de insistir nas negociações e acaba de apresentar nova proposta para melhorar a remuneração do magistério, uma demanda justíssima, mas que vem esbarrando nas limitações orçamentárias da maioria das administrações.

A realidade dos veículos e maquinários sucateados também foi deixada para trás. Isto porque a competência do mandatário maior do município garantiu a renovação do maquinário e dos veículos de todas as Secretarias, permitindo um melhor atendimento das demandas da população por mais e melhores serviços no campo e na cidade. E a renovação ainda não chegou ao fim, uma vez que novas máquinas e veículos, brevemente devem aportar em solo hervalense.

Tudo isso e muito mais enfrentando anualmente os efeitos perversos da estiagem, alguns dos maiores desastres naturais da nossa história, um passivo financeiro de mais de R$ 1,6 milhões, além de uma população e um conjunto de funcionários descrentes na recuperação e na importância daquilo que é público. É mole ou quer mais? E tem gente (especialmente do contra), que acha isso fácil. Agora que a cama está arrumada não falta quem queira deitar ou dizer que arrumá-la não foi nada, mas as pessoas sensatas sabem o quanto custou chegar ao patamar atual, que esta jornada está apenas começando e que quem desgovernou a máquina pública no passado não saberá guiá-la no presente de desafios ainda maiores e que estão a pedir vôos cada vez mais altos.

A vitória de Luís Inácio Lula da Silva para a Presidência da República sobre José Serra representou a vitória da esperança contra o medo. Recentemente a vitória de Dilma Rousseff sobre o mesmo representante do tucanato significou a vitória da verdade contra a mentira. Creio que ao nível local, a vitória das verdadeiras forças progressistas na corrida eleitoral que se aproxima marcará a vitória retumbante do progresso contra o atraso. Será o triunfo das forças que querem Herval melhor para todos sobre as forças políticas patrocinadoras da mediocridade, da negociata e da bagunça. Venceremos!

 

Ato político




"Ato Político" volta à baila, desta feita para alastrar a importante e oportuna reflexão para as esquerdas (assim mesmo no plural) proposta pelo brilhante Governador Tarso Genro...



É preciso tratar da democracia socialista


Mesmo as democracias consolidadas são ameaçadas, hoje, pela crise do sistema financeiro global. É clara a incompatibilidade objetiva entre o processo de enriquecimento sem trabalho, da atual fase do capitalismo global, com os sistemas socialdemocráticos estabelecidos, responsabilizados falsamente pela crise.

Nesse contexto, pergunto: não se deve abrir um debate honesto sobre democracia e a ideia do socialismo, tomando este não mais como modo de produção “pré-configurado”, mas como ideia reguladora?

Sustento que socialistas e comunistas não têm feito este debate por dois motivos. Primeiro, porque, nos governos, enfrentam a questão da governabilidade, a partir de alianças muito amplas, às quais esse tema arrepiaria. Segundo, porque as tarefas de governo tendem a promover a abdicação da reflexão teórica pela necessidade empírica de “resolver coisas”. Resolvê-las para responder exigências alheias às questões concretas do socialismo, que não estão em jogo em nenhum lugar do Ocidente, com exceção de Cuba e, aliás, em sentido inverso. Mas há uma razão de fundo, que encobre as duas acima citadas e imprime passividade às culturas socialistas partidárias, na atual conjuntura mundial.

É a recusa, consciente ou inconsciente -por incapacidade ou opção-, de abordar a questão do socialismo, em conjunto com a questão democrática.

Através desse exercício ficaria clara a dificuldade de manter bases eleitorais afinadas com um regime de acumulação ou distribuição socialista, dentro da democracia política. É preciso encarar esta verdade.

A socialdemocracia reformista, que assumiu os governos de esquerda neste período, recuou, em consequência, da “utopia socialista”, para se preservar na “utopia democrática”. Abdicou, assim, da ideia da “igualdade” -presente nas propostas socialistas- para assumir a ideia da “fraternidade” em abstrato, presente na ideia de solidariedade, na constituição política do Estado social de Direito.

Só que essa fraternidade funciona, no sistema global em curso, como pura exigência de renúncia para os “de baixo”. Não como sacrifício para os “de cima”.

E funciona em momentos de bonança, como distribuição limitada de recursos “para os de baixo”, (através de salário e outras prestações sociais) e como acumulação ilimitada de riqueza para os “de cima” (através do lucro e da especulação financeira). É isso que gera incompatibilidade, globalmente, entre capitalismo e democracia, promovendo grandes dúvidas sobre o futuro da democracia, inclusive na Europa.

As experiências socialistas “reais” resolveram este dilema (“da máxima desigualdade” aceitável e da “mínima igualdade exigível”) através dos privilégios regulados no aparato de Estado e do partido. Esses quadros foram se liberando dos seus compromissos originários e simulando que a “igualdade verdadeira” estava logo ali. E não estava. A socialdemocracia “de esquerda”, na Suíça, Suécia, Dinamarca, Noruega, regularam a desigualdade máxima e organizaram a economia para um modo de vida mais duradouro e menos renunciável, pelos seus destinatários, do que as experiências soviéticas.

Pode-se dizer que ambas as experiências -formas específicas de capitalismo de “Estado” ou “regulado”- promoveram paradigmas modernos, à sua época, de igualdade social.

Deixaram, porém, em aberto a questão da democracia socialista como modelo universal, na qual a diferença entre “máxima desigualdade aceitável” e a “mínima igualdade exigível” seja estabelecida como projeto universal para uma humanidade fundada na paz e na justiça.

A esquerda pensante, pelos seus partidos, tem o dever ético de retomar este debate e esta utopia.


Rir é o melhor remédio






sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pitada filosófica



O DIREITO AO DELÍRIO
(Eduardo Galeano)


Está a nascer o novo milénio. Não dá para levar o assunto demasiado a sério: ao fim e ao cabo o ano 2001 dos cristãos é também o ano 1379 dos muçulmanos, o 5114 dos maias e o 5762 dos judeus. Além disso, o novo milénio nasce no primeiro de Janeiro por obra e graça de um capricho dos senadores romanos, que em determinada altura decidiram romper com a tradição que mandava celebrar o ano novo no começo de cada primavera.

A contagem dos anos da era cristã provém ainda de outro capricho: um belo dia o papa de Roma decidiu datar o nascimento de Jesus, mesmo que ninguém pudesse precisar então em que data tinha ele nascido. O tempo ri-se dos limites que inventamos para construirmos a ficção de que ele nos obedece, mas o mundo inteiro celebra e teme essa espécie de fronteira. Milénio vai, milénio vem, a ocasião é, assim, propícia para que oradores de inflamada verve possam perorar acerca do destino da humanidade, e para que os arautos da ira de Deus possam anunciar o fim do mundo. O tempo, esse, lá continua sossegado a sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério. Verdade seja dita, porém, a uma data assim, por mais arbitrária que ela seja, não há quem resista, e ninguém escapa afinal à tentação de tentar saber como será o tempo que será.

Vá-se lá saber porém como será. Possuímos uma única certeza: no século vinte e um, ainda que possamos estar aqui, seremos todos gente do século passado e, pior ainda, seremos gente do passado milénio. Não podemos todavia tentar adivinhar o tempo que será sem que tenhamos, pelo menos, o direito de imaginar aquele que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem senão o direito de ver, de ouvir e de calar. Que tal se começássemos a exercer o nunca proclamado direito de sonhar? Que tal se delirásemos por um pouco? Vamos então lançar o olhar para lá da infâmia, tentando adivinhar outro mundo possível.

No próximo milénio o ar estará limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães. As pessoas não serão programadas por computador, nem compradas no supermercado, nem espiadas por televisor. O televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de engomar ou a máquina de lavar a roupa. As pessoas trabalharão para viver, em vez de viverem para trabalhar. Será incorporado nos códigos penais o delito de estupidez, que cometem todos aqueles que vivem para ter ou para ganhar, em vez de viverem apenas para viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca. Em nenhum país serão presos os jovens que se recusem a cumprir o serviço militar. Os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas. Os cozinheiros deixarão de considerar que as lagostas gostam de ser cosidas vivas. Os historiadores deixarão de crer que existiram países que gostaram de ser invadidos. Os políticos não acreditarão mais que os pobres adoram comer promessas. A solenidade deixará de se julgar uma virtude e ninguém tomará a sério nada que não seja capaz de assumir. A morte e o dinheiro perderão os seus poderes mágicos, e nem por disfunção ou por acaso será possível transformar o canalha em cavalheiro virtuoso. Ninguém será considerado herói ou louco só porque faz aquilo que acredita ser justo, em vez de fazer aquilo que mais lhe convém. O mundo já não se encontrará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro caminho senão declarar a falência. A comida não será uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão. As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua. Os meninos ricos não serão tratadas como se fossem dinheiro porque não existirão meninos ricos. A educação não será um privilégio apenas de quem possa pagá-la. A polícia não será a maldição daqueles que não podem comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viverem separadas, voltarão a juntar-se, bem unidas ombro com ombro. Uma mulher, negra, será presidente do Brasil e outra mulher, negra também, será presidente dos Estados Unidos da América; uma mulher índia governará a Guatemala, e outra o Peru. Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer em tempos de amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo. A Igreja ditará também outro mandamento que havia sido esquecido: "Amarás a natureza, da qual fazes parte". E serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma.

Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são aqueles que desesperaram de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar. Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham desejo de justiça e desejo de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importem as fronteiras do mapa e do tempo. A perfeição continuará a ser o aborrecido privilégio dos deuses, mas, neste mundo imperfeito e exaltante, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.

Dez.99

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Parceria com Governo Federal garante novos investimentos em habitação



No final do ano passado o Governo Federal, através do Ministério das Cidades, lançou a Portaria nº 547, de 28 de novembro de 2011, dando aos municípios com até 50 mil habitantes a possibilidade de cadastrarem novas propostas de construção de moradias populares por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Por determinação do prefeito Ildo Sallaberry, a equipe da Secretaria Municipal de Planejamento cumpriu as exigências estabelecidas na mencionada Portaria e cadastrou a proposta de construção de 42 unidades habitacionais em nossa cidade, no loteamento Silva, situada no bairro Caixa d' água. No início desta semana veio a notícia de que a proposta apresentada pela administração municipal está incluída entre aquelas selecionadas pelo Ministério das Cidades, sendo que da proposta inicial de 42 deverão ser construídas 40 casas novas.

O anúncio oficial foi feito na tarde de hoje, 11, em reunião realizada no gabinete do prefeito, com a presença de diversas autoridades dos poderes Executivo e Legislativo e de lideranças comunitárias e políticas da maioria dos partidos. Durante a reunião o Secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda, ainda fez um relato de outros investimentos previstos pela administração para os próximos meses, como a aquisição de um trator agrícola e de uma escavadeira hidraúlica, a construção de uma Unidade de Saúde no bairro Jango, o projeto de construção de redes de água em 6 assentamentos, num investimento de cerca de R$ 6 milhões, além de projetos de calçamento e pavimentação urbana, num montante de R$ 700 mil, entre outros. 

O prefeito Ildo Sallaberry comemorou muito essa conquista para o povo hervalense, fruto da parceria com o governo federal e do esforço feito pela administração municipal de manter a prefeitura em dia em termos administrativos e do planejamento das ações, de modo a manter investimentos continuados no setor da habitação. “Esse investimento além de uma enorme conquista representa um passo importante para a superação do déficit habitacional do município”, enfatizou.

Ainda de acordo com Ildo, foi determinante para a aprovação da proposta o fato do município já ter elaborado seu Plano Local de Habitação de Interesse Social – PLHIS, da prefeitura ter disponibilizado o terreno como contrapartida, do empreendimento possuir projeto arquitetônico aprovado na prefeitura e a área oferecida para a construção dessas moradias já estar licenciada pela Fepam.

Negra mulher




Cá me encontro trá veiz com a gratificante incumbência de trazer à luz pública a lavra poética da minha querida "Sora Marielda". Lembrando que tal escrita deveria ter sido postada há "lejos". Porém, por motivos alheios a minha vontade, não foi possível fazê-lo na data mais apropriada: o dia Internacional da Mulher. Mas todo verso que toca não tem data e possui o tamanho do universo.


NEGRA MULHER


Candura e paixão,
Sensibilidade e emoção.
Negra Mulher
Forte, guerreira,
Sofrimento, dor e lágrima.
Negra Mulher
Sacode a poeira,
Dá a volta por cima.
Negra Mulher
Sorriso colorido,
Canta, dança e embala seus filhos.

(Marielda Barcellos Medeiros/Pelotas/RS)


terça-feira, 10 de abril de 2012

Mais apoio para uma FEJUNAHE melhor




O Secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda, cumpriu agenda em Porto Alegre no último dia 4. A viagem teve como objetivo buscar patrocínios junto a autarquias dos governos estadual e federal para 25º FEJUNAHE e 3º Feira de Artesanato e Produtos da Agricultura Familiar.

Na ocasião, o Secretário manteve contatos na CORAG e CGTEE, retornando com o compromisso firmado pelas empresas que se traduz na boa notícia de que ambas irão oferecer apoio a este que é um dos eventos mais tradicionais e mais importantes do calendário de eventos do nosso município.

Toninho agradece o apoio do mandato do deputado federal Henrique Fontana, especialmente do assessor do parlamentar Marcelo Albuquerque que agendou e o acompanhou na visita às duas autarquias, atendendo ao pedido feito pelo presidente licenciado do PT de Herval, Xirú Martins, o qual mantém relações políticas com este que é um dos deputados mais influentes e atuantes do Congresso Nacional.


Música para os meus ouvidos


Não raro o regional é a desculpa para o universal. E Vitor Ramil consegue ter os pés firmes no nosso pago sulino e os olhos bem atentos na vastidão deste "mundão de meu deus". Dar a nossa audição o prazer de ouvir Vitor é reascender o orgulho de ser gaúcho, sem perder-se nas fronteiras estreitas do bairrismo.





Ato político




O leitor e a leitora do blog já deve ter percebido a admiração que nutro pelo pensamento de Marcos Rolim. É como se Rolim escrevesse o que eu gostaria de escrever mas não tenho competência, clareza nem profundidade para fazê-lo. Por essa razão, não me canso de invocar o pensamento dessa figura que julgo iluminada e sempre encantadora. Vocês hão de me entender, não se trata de nada ligado ao campo sentimental, mas um apego deveras fundamentado ao vasto campo da razão aberto por esse camarada, cuja esperiência vivida no Congresso Nacional longe de ilameá-lo ou corrompê-lo, o fez ainda mais límpido, lúcido e leal aos princípios éticos que propugna. Rolim é a mostra de que nem tudo nem todos estão perdidos.


PARA ALÉM DO "FICHA LIMPA"


Diante de um escândalo como o que envolve Demóstenes Torres, a indignação que sentimos é tamanha que somos tentados a nos satisfazer com ela.

O ex-líder do DEM, afinal, foi incensado por boa parte da mídia quando posava de arauto da moralidade e sua queda não apenas parece confirmar que a política no Brasil é um caso perdido, mas também alivia os pecadores menores que seguirão repetindo: “todos são iguais mesmo”. Reações do tipo, entretanto, são exatamente aquelas que só legitimam o ceticismo disseminado socialmente. Por isso, penso que o desafio seja o de olhar para além da desfaçatez revelada pelas gravações da Polícia Federal.

A exigência por uma profunda reforma política – aquela que vem sendo barrada pela maioria do Congresso com o apoio da insensatez pública que sustenta o financiamento privado das campanhas e o voto individual – deveria ser a pauta prioritária. A má política praticada no Brasil se sustenta sobre três grandes pilares: a) os favores prestados por governantes e parlamentares aos eleitores e ao poder econômico – fenômenos do clientelismo político e da representação obscura de interesses privados; b) o financiamento privado das campanhas eleitorais, com a conseqüente transformação dos mandatos em escritórios de representação particular e c) a ocupação da máquina de Estado por indicações dos partidos da “base aliada”– o que se entende eufemisticamente como “governabilidade” – cujo elevado custo tem sido pago pela população, obrigada a conviver com gestores em regra despreparados. Sem a mudança da lei eleitoral e uma inovadora engenharia institucional, seguiremos nos indignando com os escândalos políticos, vez que o modelo atual os produz em escala industrial por sua própria lógica interna, enquanto vai expurgando os políticos que não se submetem aos esquemas da mediocridade reinante.

Mas é preciso, urgentemente, outras reformas como, por exemplo, o fim do foro privilegiado. Atualmente, parlamentares federais, ministros e outras autoridades só podem ser processados pelo STF, e os governadores, pelo STJ. Na prática, isto significa tratamento diferenciado e impunidade. Discursos contra a impunidade, por isso mesmo, de nada valem se não forem acompanhados por exigência em favor de reforma constitucional que elimine o foro privilegiado, consagrando o princípio republicano de que todos são iguais perante a Lei. A imprensa, aliás, prestaria enorme serviço à Nação se informasse quais os partidos e os políticos brasileiros que apoiam esta ideia.

Da natureza e extensão do escândalo resta muito por saber. A Procuradoria Geral da República, por exemplo, deve explicar por que nada fez quando recebeu, em 15/09/2009, os autos da Polícia Federal - com cópia do inquérito que apontava a necessidade de investigação do Senador Demóstenes - remetidos pelo Delegado Raul Alexandre Marques de Souza (ofício nº 158/2009 NIP/SR/DPF/G0). Ao que parece, Demóstenes - o “ficha limpa” - era o líder no Senado de um grupo criminoso. Mas os indícios já revelados sugerem articulação mais ampla, dentro e fora do Congresso.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Momento poético





















COMO EU NÃO POSSUO
(Mário de Sá-Carneiro)


Olho em volta de mim. Todos possuem -
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.


Versos del alma gautia


"Versos del alma gautia" volta a figurar neste cantinho do "mundão virtual", desta feita para espalhar o canto fabuloso de Atahualpa Yupanqui. "Don Ata" no se olvida e continua a encantar!





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Péssimo no governo, ruim na oposição



Matéria publicada no “blog Javali do Herval” no último dia 3, informa sobre uma enquete realizada pela rádio Herval FM questionando os ouvintes sobre qual investimento seria prioritário: a compra de uma ambulância ou a construção de mais calçamento.

Na condição de Secretário Municipal de Planejamento, portanto, de quem exerce papel protagonista na definição da aplicação dos recursos da prefeitura, esclareço que, no meu ponto de vista, tal enquete é absolutamente desinformada e com viés nitidamente politiqueiro.

Desinformada porque a prefeitura acaba de adquirir uma ambulância, com recursos oriundos do governo do estado, a qual deverá ser entregue em no máximo 30 dias, cujo processo licitatório foi amplamente divulgado pelo jornal local. Informo ainda sobre a possibilidade da compra de uma segunda ambulância, esta com recursos provenientes do Ministério da Saúde, sendo que a liberação da referida verba se encontra em processo e ainda não está assegurada.

Politiqueira – e esta é uma opinião minha – porque as mesmas vozes que agora clamam por investimentos na saúde, quando eram governo não aplicavam nesta área vital para a população sequer o percentual mínimo estabelecido pela legislação, de 15% da arrecadação da prefeitura, e a prova disso é o TAC firmado pela administração anterior junto ao Ministério Público, que na ocasião agiu para cobrar essa dívida que acabou honrada pela gestão atual. Além disso, o governo de antes, além de entregar os veículos e ambulâncias completamente sucateados, ao invés de uma ambulância preferiu comprar uma camionete nova para uso do prefeito da época. Mais tarde, em pleno processo eleitoral, até comprou uma ambulância, mas deixou a dívida para ser quitada pela administração de agora.

No meu conceito tal enquete é polítiqueira também, porque propaga e se apóia num falso dilema. Ou seja, a administração tem a previsão de executar novas obras de calçamento ainda este ano e nem por isso irá deixar de atender outras demandas importantes e prioritárias, especialmente na saúde.

Oposição é legítimo e necessário. Mas vamos combinar: opositores desqualificados, mal intencionados ou oportunistas é algo que chega ser cômico, se não fosse trágico.

Rir é o melhor remédio





segunda-feira, 2 de abril de 2012

Licença poética




Peço licença outra vez para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Sonhei que fazíamos amor...
Estavas nua e gemendo e delirando por sobre meu corpo,
enquanto eu sentia teu fogo e incendiava com teu calor.
 
 
De repente, minhas mãos se perdiam em tuas curvas
e minha língua afagava e se lambuzava em teus mamilos,
até que me encharcavas com teu prazer.


No minuto seguinte, já estavas sob meu corpo...
Minha boca se afogava no teu favo que atiça e maltrata,
meu corpo inteiro inundava teu regaço e depois morria de amor em teus braços.


Viva O Herval!




Este mês de abril marca a passagem dos vinte anos de existência de O Herval. Um veículo de informação que mesmo antes de chegar à “maioridade plena” parece estar suficientemente maduro e seguro de seus propósitos. Isto porque mesmo não abrindo mão de algumas convicções, aprendeu a respeitar e promover as opiniões que vislumbram outro ponto de vista.

É bonito ver O Herval chegar às bancas quinzenalmente. Bonito porque o tratamento gráfico a ele dispensado nos últimos anos o deixou alegre e elegante. Bonito porque o periódico trás de forma corajosa a notícia sobre aquilo que é nosso e nos torna únicos neste “mundão enorme de meu Deus”, pois precisa enfrentar permanentemente inúmeras barreiras, ranços e os riscos em matéria financeira que esta linha editorial tão restrita a uma cidade com poucos leitores e tão apaixonada em termos políticos representa!

Não, nunca falta espaço para uma ou outra notícia de além Herval, mas a imensa maioria dos espaços deste órgão de imprensa é dedicado aos assuntos e acontecimentos da nossa terra, transformando-o em fonte não apenas de notícia, mas de pesquisa para muitos que buscam conhecer a história do nosso município, inclusive sob o olhar acadêmico. Algo magnífico e um exemplo que deveria ser imitado pela nossa rádio comunitária, especialmente porque vivemos num país em que a notícia é uma mercadoria que valoriza demasiadamente a tragédia e é feita quase que exclusivamente para o consumo dos grandes centros urbanos.

Por esses e outros motivos, dou vivas aos abnegados proprietários de O Herval e desejo vida longa a este jornal que, embora nem sempre seja reconhecido como deveria, é um dos maiores motivos de orgulho para nós hervalenses de nascimento ou de coração.



domingo, 1 de abril de 2012

Música para os meus ouvidos


Música boa não envelhece e sempre tem o poder de amanhar ou amainar as almas que clamam pelo som que lembram o céu.