quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Afaste de mim esse cale-se



Durante o tempo escuro da ditadura militar, o grande Chico Buarque brindou-nos com uma pérola da resistência intitulada “cálice”, na qual o jogo das palavras era usado para driblar a censura. Pois a censura continua pulsando no coração de muitos, mas felizmente hoje podemos ir direto ao ponto. Falo das manifestações caluniosas e dos impropérios desferidos contra mim por alguns vereadores em sessão realizada recentemente, cujo direito de me pronunciar em plenário para contrapor tais manifestações falaciosas acabou sendo negado na sessão seguinte, com a derrubada do requerimento que apresentei para este fim. Em face disso, utilizo este espaço para esclarecer o assunto.

Só para lembrar, requeri fazer uso da palavra para contraditar as manifestações do vereador Jackson que insinuou que eu assumia posições políticas conforme minha conveniência financeira; ao vereador Daniel, o qual fez a afirmação de que eu ocupava espaço gratuito no jornal e ainda recebia uma grana de alguém que supostamente lucraria politicamente com as opiniões que publico e, especialmente ao vereador Batista, que provocou toda essa celeuma ao apresentar proposição requerendo informação sobre os gastos com diárias e telefones de todos os servidores e vereadores ao longo deste ano.

Ocorre que antes de obter resposta, o vereador Batista apresentou dados supostamente do TCE, afirmando que eu havia percebido mais de R$ 4 mil em diárias somente até o mês de setembro de 2011, uma tremenda inverdade. E mais, disse ele que as diárias de todos os vereadores ou de todos os servidores somadas eram muito inferiores às diárias pagas a mim. Mais uma inverdade absurda.

Para que o leitor tenha uma ideia desta tática mofenta de fazer política, informo que percebi em diárias até o início de novembro (e não até setembro como afirmou Batista) o valor de R$ 3.832,12. Já a soma das diárias pagas a todos os vereadores (sem contar as diárias do presidente) também até o começo de novembro, alcançou a cifra de R$ 10.117,51, enquanto as diárias pagas aos demais funcionários (sem incluir os valores pagos ao motorista) somam R$ 8.685,09. Esta é a verdade dos números. Esta é verdade que alguns vereadores não querem ouvir, pois não tem nenhum compromisso com a verdade e com o livre embate entre as ideias, preferindo utilizar a calúnia, a desinformação e a censura como arma política.
 
Sobre a finalidade e os resultados das viagens que fiz em caráter oficial, tenho a informar que participei de um total de três cursos relacionados à gestão legislativa e ao processo licitatório, uma vez que integrava a Comissão de Licitação da Câmara. Quanto às viagens de cunho político, cito como exemplo as audiências com o secretário de agricultura do RS, na qual foi definida a contratação de servidora para a inspetoria veterinária local, assunto fortemente debatido pelos Edis. Também participei de audiências com a deputada Miriam Marroni, líder do governo na AL/RS, sendo que uma dessas conversas redundou no encontro conjunto de lideranças políticas de diversos municípios vizinhos com o secretário de infraestrutura e logística do RS, Beto Albuquerque, para demandar ligações asfalticas no só em Herval, mas na maioria dos municípios da nossa região.

Cito ainda a audiência na Secretaria de Obras e Desenvolvimento Urbano do estado, na qual foi solicitado o envio de retro escavadeira até o final da vigência do Decreto de Situação de Emergência decorrente dos efeitos da última estiagem, tendo em vista que a máquina enviada ao município foi levada antes de concluído este prazo. Lembro também das audiências com o vice-governador e com a coordenação do Programa de Crédito Fundiário, que levou a realização posterior de audiência pública no legislativo para debater com os interessados o andamento e a liberação de novos financiamentos por meio do referido programa.

Por fim, lembro que 2012 é ano de mais uma dança de cadeiras na “Casa do Povo”. Tomara que a vontade popular não perca esta chance para eleger uma maioria absoluta de representantes qualificada, imbuída do verdadeiro espírito democrático e que procure seguir os passos do grande filósofo Voltaire, que sustentava: “Não concordo com uma só palavra que dizeis, mas defenderei até a morte o direito que tens de dizê-las”.

 

Música para meus ouvidos

Que violão bonito seu Lucio...


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eva e Adão sim, é viadão não!



A vida interiorana tem muitos encantos. Poderia listar um monte deles, mas prefiro não fazê-lo por acreditar que estes estão muito atrelados aos hábitos e gostos pessoais. Mas um dos maiores encantos de viver numa cidade como Herval talvez seja o sossego e a ideia de que conhecemos e somos conhecidos por quase todos que vivem em nossa “terrinha”. Esse contato mais próximo com as pessoas nos dá uma sensação de segurança, acolhimento e intimidade. Basta sairmos à rua para começar a gastar nosso estoque infindável de acenos, saudações e cumprimentos em tom amistoso.

Mas nem tudo são flores. É comum as pessoas confundirem amistosidade (como o computador sublinhou essa palavra, acho que acabo de inventá-la) com invasão de privacidade. O pior é quando a invasão vai além da mera invasão de privacidade alcançando a intimidade do indivíduo. Ou seja, não satisfeitos em vasculhar a privacidade alheia, alguns fulaninhos e fulaninhas embarcam numa verdadeira corrida maluca na tentativa de escarafunchar aquilo que se encontra guardado no mais íntimo das criaturas.

Como se não bastasse essa análise forçada da privacidade ou da intimidade alheia, o mais trágico é quando seus resultados se revelam falsos e ainda assim acabam por ser alardeados aos quatro cantos, de boca em boca. Trocando em miúdos: fuçam tudo, não encontram nada do que procuram e ainda saem dando com a língua nos dentes. E não falta quem compre esse peixe podre! Pobres almas pobres!

Vejam bem, não falo aqui da fofoca que esta sempre carrega ao menos uma pontinha de verdade. Falo aqui da intriga, da pura invenção acerca das coisas do corpo e da alma de outrem...

Nasci e fui criado cá nesses pagos sulinos. Amo essa terra de paixão, e nunca tive vergonha de alardear isso. No entanto, nunca fui adepto deste hábito doentio, na minha singela opinião, de cuidar a cola do vizinho no lugar de cuidar da sua própria. Lembro-me da estória contada por meu pai quando eu ainda me encontrava na infância, segundo a qual o macaco cuidou tanto o rabo do outro macaco que estava sobre o trilho, que quando o trem chegou acabou cortando o seu rabo, deixando seu amigo ileso.

Talvez por isso, muitos de meus conterrâneos considerem meu modo de ser estranho, fora dos padrões convencionais, pouco sociável. Isto é, minha mania de não meter o bedelho onde não sou chamado e como cantava Gonzaguinha, de não ficar com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela, de certo contribuiu para que me fosse conferido o título de metido ou até de veado (e aqui não falo do bicho, aliás, muito simpático). Além disso, meu perfil intelectual que não se coaduna com o estereótipo masculino construído aqui neste chão, calcado na figura do machão, também deve ter contribuído para esta leitura errônea sobre a minha pessoa e a minha sexualidade.

De repente o leitor não esteja entendendo onde pretendo chegar. Pois digo que não pretendo chegar a lugar nenhum nem tampouco desfazer algum boato infundado. Pra falar a verdade, nem deveria tocar nesse assunto, já que me sinto seguro de mim e da minha opção sexual. Ocorre que nunca me importei em ser criticado pelos defeitos que tenho, mas não tolero que inventem defeitos pra me criticar.

Mas é isso mesmo. Como costumo ser reservado e, além de reservado, com uma larga história de timidez (timidez tão grande que tive minha primeira namorada aos 19 anos de idade); muitas línguas afiadas logo atribuíram isso a um suposto homossexualismo. Pra complicar as coisas, ainda tive o azar de me envolver com pessoas maldosas que não hesitaram em me passar a perna e não satisfeitas, ainda me atribuíram a autoria de coisas que nunca fiz, disse ou pensei, exatamente como forma de ocultar sua safadeza ou sua fraqueza para exorcizar os fantasmas que as atormentavam e que também eram atribuídos a mim. Também tive o azar de me envolver com pessoas ressentidas por algum exemplo de sexualidade não convencional em sua própria família e, ao mesmo tempo, sem a madureza necessária para aceitar que o caso não foi adiante simplesmente porque não deu certo, preferindo encontrar outra explicação para o findar da linha, sem importar-se sobre se esta explicação era autêntica ou fantasiosa.

Não me faço de vítima, é que como disse, odeio que me acusem daquilo que não cometi. Já meti muito os pés pelas mãos e sei o quanto pesa a cruz dos meus deslizes. Agora, posso dizer com a mais absoluta paz de consciência que amor homo ou bissexual nunca fez a minha cabeça e nunca será a minha praia. As mulheres que perdoem meu baixo nível de romantismo ou a minha falta de jeito no trato com elas, mas podem estar certas que isso não se deve a nenhuma tendência sexual fora dos padrões considerados mais adequados. Acusem-me de ego centrista, de pouco conhecedor do universo feminino (se bem que esse universo sempre será um mistério para qualquer homem), mas não vejam nisso outra opção que não seja pela heterossexualidade.

Nada contra quem opta pelo homossexualismo ou pelo bi-sexualismo. Cada um sabe o lugar que o sapato lhe aperta ou onde a coceira lhe desperta. Inclusive tive e, provavelmente, tenho amigos que fizeram uma destas opções sexuais e isto não foi motivo para pôr fim a nossa amizade nem serviu como estímulo para que eu tomasse parte nas suas preferências. No entanto, prefiro seguir apostando na escolha quadrada e romantizada do amor entre homem-mulher, mesmo que venha quebrar a cara ou lanhar o coração mais um trilhão de vezes e, ao final, ainda herde a fama de “veado”. É o preço a ser pago!

Por outro lado, se minha opção não fosse essa, não teria nenhum problema em admiti-la de público, embora essa questão não interesse nem diga respeito à esfera pública. É preciso separar o público do privado, mas quem me conhece mais de perto que sabe que prezo pela transparência. Minha vida é um livro aberto e mesmo as páginas manchadas pelas minhas mazelas não precisam ser arrancadas, apenas reescritas. Sou hetero, e definitivamente "não corto pelos dois lados", pô! Gostem ou não, acreditem ou não, este é o fato mais cristalino. Só não vê que não quer ou quem gasta mais tempo cuidando da vida dos outros do que da sua.

Perdoem-me o desabafo, mas a tempos carrego isso entalado na garganta!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Viva Herval e a nossa gente!



Volto ao assunto da pregação absurda do pastor Adriano, para deixar bem claro meu ponto de vista sobre o assunto, se é que já não o fui.

Para mim o citado pastor além de infeliz, foi muito cruél com as pessoas da terra que o acolheu tão bem e de onde ele retira seu abundante pão de cada dia. O que ele disse e pensa sobre a "terrinha" não condiz com a realidade de um povo majoritariamente do bem e, além disso, acaba por revelá-lo como lobo em pele de ovelha. 

O que tentei expor em escrito anterior é que não podemos, por algumas atitutes intolerantes ou violentas, dar margem para que seu pensamento em relação a nós se torne realidade. Penso que o maior pecado desse senhor, é que ele se caracteriza como uma pretensa autoridade religiosa cristã e os cristãos, como sabemos, devem ter uma postura no trato com seus semelhantes exatamente oposta a que ele acaba de demonstrar para a indignação dos hervalenses e de todas as pessoas de alma aberta e corpo liberto.

Portanto, as palavras deste pastor são dignas da nossa mais profunda indignação e do nosso protesto, mas sem excessos, fundamentalismos ou violências de qualquer tipo. Não demostremos, por gestos ou palavras, que este cidadão tinha razão em relação a nossa índole ao ferir-nos tão dolorosamente com sua língua afiada, repito uma vez mais. Esperneemos, botemos a boca no trombone, mostremos que ele pisou na bola e que está fora da casinha, mas dentro dos limites da lei e da razão. Também não digo que devemos passar-lhe a mão por cima ou fingir que nada foi dito. Não, digo apenas para evitar que de vítima passemos a vilões.

Por outro lado, em meu escrito anterior publicado aqui no blog não defendo nenhuma religião, mas a necessidade de nos ligarmos com Deus, e para isso o único e verdadeiro caminho é o exemplo ainda vivo de Jesus Cristo. Para estar com Deus não é preciso de intermediários ou atravessadores, esse é princípio básico da religião que pratico. Também não sou sectário ao ponto de achar que as religiões humanas não tenham alguma virtude. O que devemos combater é o fanatismo religioso e a exploração da fé das pessoas para qualquer fim diferente daquele que é o de nos LIGAR a DEUS.
 
Neste sentido, penso que devemos ter muito cuidado ao julgar nossos semelhantes, mesmo que seus atos e palavras sejam repugnantes, como foi o caso das palavras infelizes e revoltantes proferidas pelo pastor Adriano. Lembremos dos norteamericanos que a pretexto de combater o terrrorismo no mundo, se converteram eles mesmos em terroristas. Cuidado para não confirmamos a pregação desse pastor que nos qualifica como incivilizados, volto a insistir. Desmintamos suas palavras não com gritarias ou atitudes mais fanatizadas que as dele. Amemos e exaltemos as virtudes e belezas da nossa terra e da nossa gente, mas não façamos dela uma religião a qual é preciso louvar cegamente.
 
Andemos além da mera execração pública deste senhor, ainda que esta nos pareça justa e justificada. Nesta hora tão amarga, extravazemos nossa raiva, mas também convidemos este pastor sem rebanho e o mundo inteiro a ver as coisas boas da nossa amada terra, como nossa culinária, nossas belezas naturais, nossos talentos, os frutos que brotam do suor do nosso trabalho, as riquezas da nossa história, o encanto de nossas lindas mulheres, o sorriso das nossas crianças, a alegria dos velhinhos e suas histórias de dores e delícias sobre o chão nosso de cada dia.
 
Viva Herval e seu povo! Viva a fé que nos leva, ao invés de nos afastar de Deus e do caminho de amor, tolerância e perdão vivido pelo mestre Jesus!
 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Se queres ser exaltado, humilha-te"



O caminho apontado e percorrido pelo Mestre Jesus é, e por muito tempo permanecerá vivo e atual, apesar dos falsos profetas que enxergam a trave que está no olho do vizinho, e não o argueiro que está em seu próprio olho.

Ao me deparar com o vídeo que circula na grande rede que ora reproduzo, não senti raiva ou indignação ou vontade de promover nenhum ato de censura. Não, perante a nossa lei o direito de opinião é livre (e isso defenderei até a morte) e perante a lei Divina (a lei verdadeira), a cada um será dado conforme suas obras. O que senti, acima de tudo, foi pena por esses propugnadores da fé fanatizada que não sabem o que fazem.

Este episódio apenas veio reforçar minha crença em Deus e no grande Mestre que, mais do que falar, deu-nos o exemplo de que se “queremos ser exaltados devemos humilharmo-nos, e não alardear feitos que muitas vezes não vão além de palavras. Para andar na luz não é preciso apontar a treva alheia ou de nenhum lugar, antes o contrário. Ou como ensinava o próprio Cristo, "nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" (Mateus 7:21-23).

O verdadeiro Cristão perdoa, ampara, ensina, exemplifica o amor, no lugar de humilhar, espezinhar, julgar perojativamente seu semelhante ou a terra que habita. Neste sentido, é bom fazer uma breve referência ao episódio no qual o amado Mestre expulsa os vendilhões do templo.

O verdadeiro Cristão não é aquele que busca se colocar acima de ninguém, mas aquele que procura vencer a chaga do orgulho e da vaidade dentro de si mesmo.

O verdadeiro Cristão é aquele que procura seguir os passos do Cristo para além do discurso, reconhecendo, como Ele mesmo professou que “não são os que gozam de saúde que precisam de médico” (Mateus, 9: 12) e também que é preciso que amemo-nos uns aos outros como o próprio Mestre nos amou, em vez de testemunhar a sede doentia e anti-Cristã de sermos maiores e melhores que nossos irmãos.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É uma vergonha III



Por determinação do presidente, as sessões do legislativo municipal não devem mais ser transmitidas pela rádio 104.9 até o final da sua gestão. Segundo o vereador, a relação entre Câmara e rádio foi constituída sem nenhuma formalidade, o que deu margem para o corte de alguns pronunciamentos, em razão da decisão da direção deste veículo de comunicação de não transmitir as sessões na íntegra.

Como exemplo destes cortes, Claudio Inhaia (PT) cita a sessão do último dia 8 de novembro, na qual foram feitas inúmeras críticas à direção da Casa durante discussão da proposição de iniciativa do vereador Batista (PDT), sendo que a resposta oferecida ao presidente não foi levada ao ar, tendo em vista que o horário estipulado pela rádio para as transmissões das sessões legislativas (20h) foi extrapolado.

Mas o fato mais lamentável aconteceu nesta última quarta-feira, 23, data prevista para a realização de mais uma sessão ordinária do legislativo. Inconformados com a decisão do presidente, os vereadores das bancadas do PDT e PMDB apresentaram requerimento momentos antes do horário previsto para o início da sessão, pedindo a transmissão dos trabalhos legislativos.

Diante da apresentação de tal documento, o presidente reiterou que as transmissões estavam encerradas devido aos constantes cortes promovidos pela rádio, os quais acabavam redundando em ganhos ou perdas políticas dependendo da preferência da rádio. O presidente lembrou também a negativa da maioria dos vereadores presentes na sessão anterior para que o ex-Diretor da Casa pudesse fazer uso da palavra no legislativo com a intenção de contrapor as acusações que recebera, o que configuraria ato de censura.

Em face das declarações de Claudio, os vereadores das duas bancadas mencionadas acabaram por se retirar do plenário, impedindo a realização da sessão. A pergunta que fica é se os faltosos também abrirarão mão da remuneração correspondente, mesmo que seu trabalho não tenha sido realizado. Mais uma cena para nos envergonhar!

Música para meus ouvidos

Chimarrão é bom. Chimarrão ao som de Nei Lisboa é imperdível!





quarta-feira, 23 de novembro de 2011

É uma vergonha II



Diante das manifestações caluniosas dos vereadores Batista, Daniel e Jackson durante sessão do dia 8 de novembro, os vereadores Passoca e Solange aproveitaram para fazer manifestações de cunho político em relação as minhas escolhas na vida pública e ao meu desempenho como Diretor do legislativo.

Segundo o vereador Passoca (PMDB), o fato de ocupar o cargo de Diretor não me autorizaria a publicar opiniões no jornal diferentes das opiniões de alguns vereadores, pois isto caracterizaria um desrespeito à instituição Câmara de Vereadores e uma afronta aos vereadores. Respondo ao citado vereador que ele confunde a instituição Câmara Municipal com a atividade parlamentar. A primeira está acima de qualquer questionamento, já a segunda pode e deve ser questionada por qualquer cidadão, conforme assegura a Constituição Federal em seu Art. 5º, incisos II, IV, VIII e IX.

O vereador em questão ainda aponta o meu desempenho insatisfatório como Diretor o qual seria compensado, segundo ele, pelo excelente desempenho da servidora contratada para a função de assessora legislativa. Não questiono a competência desta servidora, porém lembro que a gestão atual do legislativo promoveu uma reforma nas funções da Casa, pela qual o Diretor deixou de ser o faz tudo, assumindo a tarefa de acompanhar e dirigir todos os órgãos da Câmara, em conformidade com os preceitos legais que estabelecem que cargo político é para comandar, e não para cumprir funções burocráticas.

Em relação a fala da vereadora Solange (PMDB), a qual afirma que eu teria “cuspido no prato que comi”, numa alusão ao fato de que ocupei cargo no início da administração na Secretaria comandada pelo seu partido, tenho a dizer que fui convidado para tal cargo não porque o "PT dispensou o meu trabalho," mas atendendo a um convite dos meus amigos João Bosco Paiva e Ricardo Souza que, diga-se de passagem, já deixaram o PMDB. Além disso, mesmo ocupando um cargo político, durante o período que estive na Secretaria, sempre fui tratado como um quadro técnico, não tendo nenhum envolvimento com a política da mencionada sigla. Nem por isso deixei de ter uma postura de extrema lealdade ao Secretário e a todas as lideranças desta agremiação partidária ao longo de todo o período que lá estive.

E ainda fiz mais, ao pedir exoneração do cargo, fiz questão de enviar documento ao Secretário e ao presidente do partido, agradecendo a acolhida e a oportunidade de trabalhar pelo bem do nosso povo nesta pasta tão importante da administração.

É uma vergonha



A Câmara Municipal derrotou o requerimento que apresentei à direção da Casa para fazer uso da palavra em resposta às ilações caluniosas em relação a minha conduta política e profissional, feitas por alguns vereadores na sessão realizada em 8 de novembro.

Pois os mesmos caluniadores se aproveitaram da saída de dois vereadores do plenário para derrotar o citado requerimento, posto em votação ao final da sessão da última sexta-feira, 18, mostrando que além de não tolerar o contraditório, a contradição é uma marca que os acompanha na vida pública.

Só para lembrar, requeri fazer uso da palavra para contrapor as manifestações do vereador Jackson (PDT) que insinuou que eu assumia posições políticas conforme minha conveniência financeira; ao vereador Daniel (PMDB), o qual fez a afirmação de que eu ocupava espaço gratuito no jornal e ainda recebia uma grana de alguém que supostamente lucraria politicamente com as opiniões que publico e, especialmente ao vereador Batista (PDT), que provocou toda essa celeuma ao apresentar proposição requerendo informação sobre os gastos com diárias e telefones de todos os servidores e vereadores ao longo deste ano.

Ocorre que antes de obter a resposta, o vereador Batista apresentou dados supostamente do TCE, afirmando que eu havia percebido mais de R$ 4 mil em diárias somente até o mês de setembro de 2011, uma tremenda inverdade. E mais, ele disse que as diárias de todos os vereadores ou de todos os servidores somadas eram muito inferiores às diárias pagas a mim. Mais uma inverdade absurda.

Para que o leitor tenha uma ideia desta tática mofenta de fazer política, informo que percebi em diárias até o início de novembro (e não até setembro como afirmou Batista) o valor de R$ 3.832,12. Já a soma das diárias pagas a todos os vereadores (sem contar as diárias do presidente) também até o começo de novembro, alcançaram a cifra de R$ 10.117,51, enquanto as diárias pagas aos demais funcionários (sem incluir os valores pagos ao motorista) somam R$ 8.685,09. Em breve estarei publicando ainda a finalidade e os resultados das viagens que fiz em caráter oficial em nome do legislativo.

Esta é a verdade dos números. Esta é verdade que alguns vereadores não querem ouvir, pois não tem nenhum compromisso com a verdade e com o livre embate entre as ideias, preferindo utilizar a calúnia, a desinformação e a censura como arma política. Uma vergonha!

 

sábado, 19 de novembro de 2011

Pitada filosófica



Carta escrita em 1854, ao presidente dos Estados Unidos, pelo chefe Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, depois que do Governo norte americano ter proposto a compra do território ocupado por aqueles índios.


“Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós.
Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo.
A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do
homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós. O grande Chefe manda dizer ainda que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente uns com os outros. Ele será então nosso pai e nós seremos seus filhos. Se assim é, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Isto não é fácil, já que esta terra é sagrada para nós.
A límpida água que corre nos ribeiros e nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, recordar-se-á e lembrará aos vossos filhos que ela é sagrada, e que cada reflexo nas claras aguas evoca eventos e fases da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e
alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão.
Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outra qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. E isso eu não compreendo.
O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas
cidades faz doer os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende…
Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais.
O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.
Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra, se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio em andamento.
Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o bisonte, que nós caçamos apenas para sobreviver.
Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morrerá de solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais afetará os homens. Tudo está ligado.
Deveis ensinar a vossos filhos que o solo que pisam, são as cinzas de nossos avós.
Para que eles respeitem a terra, ensina-lhes que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos:
Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, cospe
sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza:
A terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas
as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está
associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.
O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos.
Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.
Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não
podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos.
Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos
selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. Termina a vida começa a sobrevivência.”


Nem só de pão viverá o homem


 
 Prece de Cáritas
 


     
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 
Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
Assim Seja.



A prece, denominada De Cáritas, tem sido querida e contritamente orada por várias gerações de espíritas.
CÁRITAS era um espírito que se comunicava através de uma  das grandes médiuns de sua época - Mme. W. Krell - em um grupo de Bordeaux (França), sendo ela uma das maiores psicografas da História do Espiritismo, em especial por transmitir poesia (que se constitui no ácido da psicografia), da lavra de Lamartine, André Chénier, Saint-Beuve e Alfred de Musset, além do próprio Edgard Allan Poe. Na prosa, recebeu ela mensagens de O Espírito da Verdade, Dumas, Larcordaire, Lamennais, Pascal, e dos gregos Ésopo e Fenelon.
A prece de Cáritas foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873, ditada pela suave Cáritas, de quem são, ainda, as comunicações: "Como servir a religião espiritual"e "A esmola espiritual".
Todas as mensagens que Mme. W. Krell psicografada em transe, e, que chegaram até n;os, encontram-se no livro Rayonnements de la Vie Spirituelle, publicado em maio de 1875 em Bordeaux, inclusive, o próprio texto em francês (como foi transmitido) da Prece de Cáritas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Versos del alma gautia

“Versos del alma gautia” de hoje vem reverenciar o cantar incomparável do gigante Noel Guarany, que mesmo encantando em pagos do céu, legou-nos sua alma lúcida e liberta e seu peito enorme, sempre aberto.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eles passarão... Eu passarinho!


Entendo que questões pessoais devem ser tratadas na esfera pessoal, questões políticas na esfera política e questões jurídicas na esfera jurídica. Pois esse ponto de vista ganha ainda mais vigor diante de alguns golpes desferidos por alguns vereadores contra mim, durante a última sessão do legislativo.

Em termos políticos, requeri fazer uso da palavra na próxima sessão da Câmara para prestar contas do trabalho que realizei enquanto Diretor-Geral daquela instituição. No âmbito jurídico, encaminhei representação ao Ministério Público por suposto crime de censura e estou tratando da abertura de processo com vistas a obtenção de reparação por danos morais com base em declações de pelo menos dois dos Edis. No que tange ao aspecto pessoal, apenas invoco o poetar do grande Mario Quintana, dizendo: "todos esses que ai estão atravancando o meu caminho/ Eles passarão/ Eu passarinho".

Por fim, compatilho com vocês a íntegra do documento enviado ao MP:




À EXCELENTÍSSIMA SENHORA

DRA. CRISTIANE MARIA SCHOLL LEVIEN

MD. PROMOTORA DE JUSTIÇA

N/CIDADE



O cidadão abaixo firmado, inscrito no CPF sob o nº 000.000.000-00, domiciliado neste município de Herval, sito à rua Guerreiro Vitória, 626, vem, respeitosamente, relatar o seguinte fato que enseja atuação do Ministério Público:


Em sessão ordinária do Poder Legislativo, realizada no dia 08 de novembro do corrente ano, fui alvo de uma série de impropérios, insultos e calúnias que, no meu entender, extrapolam o livre debate entre as ideias se convertendo, pelo conteúdo de tais discursos, em verdadeira prática de censura, algo vedado pela Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988.

Os comentários maldosos e difamatórios acima referidos foram ensejados a partir de proposição de iniciativa do vereador João Batista Lima Sais, o qual requeria à Mesa Diretora informações sobre os gastos com diárias e telefones dos vereadores e servidores da Câmara Municipal.

No entanto, o que era para ser uma iniciativa legítima e necessária do exercício do mandato parlamentar, não passou de um mero pretexto para o linchamento moral deste que abaixo subscreve, com visível motivação política. Isto porque acabo de deixar a função de Diretor-Geral do Legislativo para ocupar um cargo na administração municipal, seguindo indicação do partido do qual faço parte.

Tal propositura, portanto, mais do que o intento de apurar os gastos mencionados, teve a intenção de afirmar que estes seriam orientados e realizados apenas em benefício do então Diretor, algo absolutamente insano e improcedente. Neste ponto, fico à disposição do Ministério Público para prestar todos os esclarecimentos necessários, bem como informo que estou tomando as medidas judiciais cabíveis com vistas a obter reparação por danos morais.

O que efetivamente requeiro ao MP é a apuração dos pronunciamentos dos edis que se seguiram a este, motivados pela propositura em questão, cujo teor depreendo como afrontoso aos dispositivos legais que asseguram a livre manifestação do pensamento. Ocorre que sou colunista do jornal O Herval e alguns parlamentares, especialmente os vereadores Jackson Xavier, Paulo César Carvalho, Daniel Xavier e o próprio João Batista esperaram minha saída do Poder Legislativo não para contrapor artigos publicados há alguns meses, mas para censurar violenta e ilegalmente minha escrita, uma prática que além de não se coadunar com a instituição responsável por assegurar os diretos democráticos, acaba se configurando no seu oposto.

Na ocasião, o vereador Jackson Xavier chegou inclusive afirmar que eu escrevia movido e recompensado por benesses financeiras proporcionadas por alguém que supostamente lograria ganhos políticos advindos dos artigos que publico, enquanto o vereador Daniel Xavier foi direto ao ponto e fez esta afirmação infeliz e caluniosa com todas as letras.

Neste sentido, invoco alguns dispositivos da Carta Magna que amparam a liberdade de opinião e a livre manifestação do pensamento:



Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo (...) de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.


Diante do exposto, considerando que os fatos acima narrados, em tese, caracterizam crime de censura requeiro ao Ministério Público, sejam tomadas às providências cabíveis.



Herval, 14 de novembro de 2011.


 

LUIZ ANTONIO VELEDA



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ato político

"Ato político" de hoje nos trás o brilhantismo do sociológo português Boaventura de Souza Santos, convidando a reinvenção não do conceito de direita e esquerda, mas do papel das esquerdas (assim mesmo no plural) diante do "admirável mundo novo" que temos diante de nós. Vale a pena ler e refletir.


Carta às esquerdas


Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.

Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação? As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros actores e linguagens que as esquerdas não puderam entender. Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie.

Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias. Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo. Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, redu-la à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas. Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas). Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente. Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito. Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar). Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um património das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar. Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas. Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.

Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.




Rir é o melhor remédio


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Extra Extra!

Compartilho com vocês matéria publicada na data de hoje no jornal Diário Popular de Pelotas, na coluna Espeto Corrido, assinada por José Ricardo Castro:

 

 

Entre companheiros

 

 Na foto o prefeito Ildo, o vereador Cláudio Inhaia (PT), o deputado federal Fernando Marroni (PT), o presidente do PT, José Martins Ferreira e o novo secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Luiz Antônio Veleda



Com a participação de diversos partidos no chamado projeto de governabilidade do governo federal, nada mais surpreende. Na segunda pela manhã, em Herval, o Partido dos Trabalhadores passou a integrar a administração do prefeito Ildo Sallaberry (PP) e já anunciou - o PT - seu apoio à reeleição do prefeito ano que vem. Na foto o prefeito Ildo, o vereador Cláudio Inhaia (PT), o deputado federal Fernando Marroni (PT), o presidente do PT, José Martins Ferreira e o novo secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Luiz Antônio Veleda, ex-assessor do PT na Câmara de Vereadores de Herval.



Coerência, que coerência?





Adoro dialogar com os diferentes e as diferenças. Esta necessidade de perceber a forma com que o outro vê o mundo e a si mesmo é quase um vício para mim. Pois uma dessas conversas com alguém que parte de outro ponto de vista, me revelou o quanto à oposição ao governo municipal agarrou-se ao discurso da coerência, como quem se agarra desesperadamente a um galho para não morrer afogado. No entanto, a história está aí para mostrar que esta alardeada coerência pode não passar de um discurso de ocasião.

Alguém duvida? E o que dizer do fato ocorrido em 1988, onde as circunstâncias levaram o respeitável Nido Soares – figura humana exemplar e homem público que sempre prezei muitíssimo –, a apoiar a candidatura do extinto PDS (antiga Arena), então representado por João Sena Peres. Detalhe: Nido era prefeito pelo PDT e seu partido na época concorria a sua sucessão com candidato próprio. Homem sempre leal e lúcido que era, o que será que o levou a não acompanhar os passos de sua legenda? Quem souber responda agora ou cale-se para sempre.

Mas nem precisa ir tão longe. Basta lembrar a corrida eleitoral de 2004, na qual Marco Aurélio Camarão, auto-proclamado arauto da coerência, concorreu à sucessão de um agonizante grupo político de direita, tendo como vice nada mais nada menos que um desses partidos conservadores, o PFL (hoje DEM), mesmo que o PT viesse em plena ascensão e caminhando a passos largos pelo lado esquerdo do caminho, além de ter sido um parceiro leal na disputa anterior, da qual saíram derrotados por uma diferença de apenas 89 votos.

Portanto, a toca da coerência não serve aos trabalhistas e também não pode ser usada para apontar uma suposta incoerência do PT diante da sua decisão de compor a base do atual governo. Neste ponto volto a repetir: a relação entre a base dos dois mencionados partidos é e sempre foi construtiva, mas seus expoentes, com honrosas exceções, nunca se bicaram. E muito por culpa da cúpula pedetista que, em solo local, ultimamente vem preferindo contrariar o exemplo de suas maiores lideranças, tais como Leonel Brizola, que deixaram o legado magnífico da seriedade e do espírito agregador, para se fecharem em si mesmos e permitir que o poder lhes suba à cabeça.

Sem dúvida, esquerda e direita ainda existem, mas o dado concreto é que a última gestão pedetista em Herval conseguiu a desastrosa façanha de se alinhar com práticas políticas e administrativas que nem mesmo a velha direita logrou alcançar. De outra parte, o prefeito atual, caracterizado como de direita, vem promovendo conquistas tanto na gestão quanto nas relações políticas há muito acalentadas pelo mais avançado pensamento de esquerda construído cá nesses pagos sulinos. Esquerda e direita ainda permanecem vivas, mas é preciso atualizar os conceitos que as caracterizam para não incorrer em velhos pré-conceitos ou atitudes políticas que "a lejos" pedem para ser renovadas.

Afinal, o que é ser de esquerda em Herval hoje? Para mim ser de esquerda aqui e agora, mais do que falar alto, proclamar virtudes que nunca teve ou viver preso em discursos, visões e posturas já caducas, é empunhar firmemente a bandeira republicana, de modo não apenas a encontrar novas fontes para o progresso material e humano hervalense, mas também como forma de oferecer um caminho para superar a herança monárquica entranhada profundamente nos habitantes deste lugar, uma das principais responsáveis por manter vivo o espírito do mando versus vassalagem.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Música para meus ouvidos

Simplemenste sem palavras. Simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO!


 
 

Planejamento da prefeitura recebe novo comando


















Em ato realizado na manhã de hoje, 07, tomou posse o novo responsável pela área de planejamento da administração municipal, Toninho Veleda.

O encontro prestigiado por autoridades e lideranças políticas de diversos partidos, foi abrilhantado pela presença do deputado federal Fernando Marroni (PT) que, na ocasião, ainda promoveu a entrega simbólica das chaves do microônibus que chegou recentemente ao município em consequência de uma emenda parlamentar de sua iniciativa.

Em seu pronunciamento Marroni falou que ao contrário de outros tempos e do cenário econômico vivido atualmente por outros países, vivemos no Brasil um momento de esperança e de progresso para todos. Ele também reafirmou seu compromisso com Herval, lembrou seu laço antigo de amizade com o prefeito Ildo Sallaberry e ainda destacou a excelente administração que o mesmo vem realizando. Por fim, o deputado afirmou que o PT se sente honrado em poder fazer parte da administração e que a postura dos petistas no governo será de somar forças para que o município continue alcançando conquistas.

As manifestações seguintes caminharam nesta mesma direção, ressaltando os muitos feitos da gestão atual e também a importância da soma de esforços e de energias positivas em prol do desenvolvimento do município de forma parelha.

Ao falar, Toninho agradeceu aos companheiros de partido pela oportunidade de ser o primeiro quadro na história a assumir um posto de comando numa administração municipal em nome do PT, bem como ao prefeito Ildo pela crença que ele acaba de jogar sobre ele, incumbindo-o da missão de chefiar esta área tão importante do governo. “Já se fez muito, mas muito ainda precisa ser feito. Chego com a determinação de quem sabe que pode dar uma contribuição, mas também com a humildade de quem sabe que não está vindo para inventar a roda. Assumo uma tarefa árdua e gratificante e espero que eu e o meu partido possamos estar à altura deste desafio”, concluiu.