O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Música para os meus ouvidos

Por razões de trabalho, me encontro respirando os ares da capital de todos os gaúchos e gaúchas. E os ares porto-alegrenses, sopraram em minha alma uma canção esplendida do sempre esplendido Nei Lisboa.
Embarquemos, então, nas asas deste “romance”, inspirados pelos ares da bela Porto Alegre.


Osmar e o Herval



Segundo o pensamento “Osmarhenciano”, quase duzentos anos depois da sua fundação, Herval continua demasiada e umbilicalmente ligado em suas origens históricas. Ou seja, os fazeres e o horizonte das gentes desta terra, ainda guardariam marcas muito fortes da monarquia fundante deste pedaço de chão encravado no Pampa Gaúcho.
Meus escritos, por óbvio, não tem a pretensão nem a possibilidade de promover um resgate da formação histórica do município de Herval. Além de espaço me faltam conhecimentos. O fato, e falando muito sucintamente, é que Herval nasceu e foi sendo criado como um dos mais legítimos “amigos do rei”. Isto é, este torrão gaúcho nasceu de um acampamento militar cuja principal missão era povoar este território como forma de mantê-lo sob o domínio da então toda poderosa Coroa Portuguesa.
Desta forma, Rafael Pinto Bandeira, que era homem mui amigo e da confiança da corte Lusitana (e me corrijam se eu estiver errado), foi recebendo o aval e muitas benesses para formar uma legião de súditos fiéis cá nesses pagos sulinos, amealhados a custa de sua influência somada a muitos obséquios. Por este caminho, Herval foi forjando-se como terra opulenta, luxuosa e influente (isto mesmo!). Por esse caminho também, além dos muitos súditos, foi sendo forjada por aqui uma pequena multidão de vassalos e alguns prováveis bobos da corte.
Um dos maiores exemplos da lealdade hervalense, talvez seja durante o episódio da Revolução Farroupilha, em que Herval se manteve firme e forte ao lado da monarquia Portuguesa, enquanto muitos vizinhos embarcavam na onda Republicana (ao menos no discurso) dos Farrapos.
Portanto, a riqueza e a influência desta terra não provinham, necessariamente dela mesma, da capacidade e da justa distribuição do trabalho dos homens e mulheres deste lugar – embora ela também as produzisse –, mas em grande parte das relações muito estreitas estabelecidas com o poder instituído naquela quadra da história. Um poder monarca que era reverenciado e reproduzido neste chão, guardadas as devidas proporções, é claro.
A derrocada do Regime Imperial foi gradativamente derrubando a maior parte das conquistas e ambições materiais constituídas por aqui até então, deixando nas bocas um gosto amargo e o balbuciar da expressão hoje consagrada de que “Herval é a terra do já teve”. A monarquia fazia água em termos materiais e enquanto possibilidade de poder, mas sua herança “espiritual” de valores, mitos e perspectivas já estava entranhada profundamente nos habitantes deste solo, daquela e das gerações futuras.
Deste modo, o sonho ou a perspectiva de ser gente alimentada em grande medida por aqui (sem generalizar, é claro), sempre foi de ser rei no que se refere à materialidade do mundo. Um mundo, neste caso, constituído por um pequeno castelo, terras em abundância, um imensurável rebanho bovino e ovino, além de uma pequena legião de súditos, vassalos e bobos.
Pois bem, décadas e décadas depois da sua fundação, surge na terra do Herval Osmar Hences, trazido a este canto do mundo pelas mãos de uma prenda nativa destes pagos. Um descendente de índios e italianos, caldeado nas lutas estudantis e pela reforma agrária. Um leitor aficionado não apenas de livros, mas da realidade na qual se via inserido.
Neste sentido, Osmar começa a desvelar as relações locais, traduzindo e problematizando muitas delas na sua prática como professor da rede pública estadual e em seus escritos que, entre os anos de 2000 e início de 2005 (se não me falha a memória), iluminaram quinzenalmente as páginas de O Herval, único jornal de circulação local.
Em seus escritos (e abro este parêntese para mencionar a importância pedagógica, histórica, antropológica, cultural, etc, da tese que lhe deu o título de mestre em educação), Osmar além de botar o dedo na ferida da monarquia encravada e tão acalentada nos corações e mentes das gentes deste lugar, também anunciava e apontava um novo horizonte de republicanização possível e necessário de ser alcançado em termos de poder e das relações interpessoais. Não a república que só existe no papel ou nos discursos mais apaixonados, mas como valor e prática civilizatória das relações públicas e humanas aqui vividas.
O Osmar socialista por convicção, admitia e propugnava a efetivação da república e tudo o que ela representa enquanto valores, direitos e deveres, de modo a oferecer novas fontes para o progresso material e humano hervalense e como alternativa para o romper com a relação patrão-peão, uma das principais responsáveis por manter vivo o espírito do mando versus vassalagem. E ele não apontava a república como novo paradigma capaz de superar a relação de servidão apenas em termos concretos, mas essencialmente enquanto possibilidade de resignificação de algo entranhando espiritualmente nas pessoas.
No meu entender, e aqui falo em termos contemporâneos, através dos seus escritos e da sua prática, Osmar Hences foi a figura que acendeu com mais vigor e maior luminosidade a chama da república em terras hervalenses. Um socialista – repito –, veio nos deixar esse grande legado, de que precisamos nos despir da roupagem monárquica e um dos melhores caminhos para tal, talvez seja empunhar honesta e firmemente a bandeira republicana.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Osmar e eu...




Devo muito a Osmar Hences, mais até do que eu mesmo imagino. Lembro-me e me orgulho em propagar o quanto ele teve influência em minha vida: nas sugestões de leituras; na leitura amorosa e crítica de meus escritos; na insistência para que a poesia fosse incluída no meu cardápio de leituras, como um meio de tornar meu texto mais leve e breve; na audição compartilhada de boa música; nas conversas pedagogicamente despretensiosas acerca da vida e das cercas da vida; nas muitas horas doces acompanhadas de um mate amargo; na valorização do meu ser como gente, eu que muitas vezes andei abandonado, inclusive por mim mesmo...

Por tudo isso, acabamos nos tornando por alguns anos quase como irmãos siameses. O laço que nos unia era um misto de alma e visceralidade, algo que a ignorância ou a mesquinharia alheia talvez confundisse e supusesse tratar-se de alguma ligação sexual. Longe disso, nosso único prazer advinha da nossa comunhão dialógico-reflexiva. Nada mais. Quem pensar ou pensava ao contrário, é porque ainda não descobriu os prazeres da alma que viaja para além das coisas da carne. Carne que a terra um dia há de comer e que antes disso, tende a consumir-se no consumismo ou na fumaça escura das acusações infundadas da vileza alheia, muito provavelmente para esconder ou justificar a sua própria!

Osmar foi para mim muito mais do que um grande amigo. Era impossível estar perto dele sem pensar profundamente não apenas nas relações sociais desumanizantes das gentes, mas na nossa própria condição de sujeitos que nem sempre assumem sua sujeidade. Para mim, era humanamente impossível conviver com aquela criatura sem me deixar contagiar com a alegria e o amor à vida que habitavam no seu ser.

Por isso, uma parte dele continua “vivinha da silva” em mim. Da mesma forma, imagino que um pedaço meu tenha partido junto como ele para o mundo da transcendentalidade no qual ele habita e, muito provavelmente, continua a tarefa de educar os outros, educando-se a si mesmo.

Osmar Hences: laços e lições



Este próximo sábado, dia 30 de abril de 2011, marca o segundo ano da viagem feita pelo “sor Osmar” para a vida que existe depois desta vida. Uma viagem, pela hora e da forma ocorrida, que suponho ter sido realizada muito a contragosto. Mas como diria meu velho pai, “pra morrer basta estar vivo”. Ou como acredito: “morrer é uma forma de se libertar do cárcere da mundaniedade para jornadear ao mais fundo de nós mesmos, tendo como chão e horizonte a imensidão do cosmos”.
Quero aproveitar esta ocasião para lembrar novamente a importância do Osmar não apenas para mim, mas para esta terra do Herval. Em outras oportunidades, tratei de registrar tal importância, movido e guiado pela veia poética brotada do terreno do sentimento que nos irmanava. Desta feita, no entanto, pretendo fazê-lo precipuamente sob a batuta do pensamento, uma vez que as reflexões “Osmarencianas” são demasiado importantes e não podem ser apagadas pela ausência da sua presença física entre nós.
Para facilitar as coisas e o entendimento de quem me lê, irei dividir e postar minha escrita em dois momentos posteriores a este, o primeiro de cunho mais íntimo e o segundo com caráter e abrangência públicos.
Venham comigo, então, rumo a um reencontro com o saudoso e singular “sor Osmar”, por meio das minhas mal traçadas linhas...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pitada filosófica



Chamemos a inolvidável Madre Teresa de Calcutá para brindar-nos com a “pitada filosófica” de hoje:

“Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação”.

“... Se você vive julgando as pessoas, não tem tempo para amá-las...”

“É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado”.

“O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”.

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”.

“A falta de amor é a maior de todas as pobrezas”.

“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão”

“O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa”.

Música para os meus ouvidos

Atendendo a pedidos, trago até vocês a deliciosa “Saudosa maloca”, no embalo saboroso dos “Demônios da garoa”...
Coisa boa é a boa música. Né não?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Achados, perdidos e breve proposta de republicanização



Penso que o Partido dos Trabalhadores do RS teve a sabedoria e a virtude de saber se reinventar. O que é diferente de simplesmente camuflar-se ou, pior, trajar-se com outras cores. Não, depois de muitos reveses e de uma longa pregação no deserto, os petistas vestiram-se com o manto da humildade e passaram a perceber algumas coisas essenciais. Entre elas: é preciso analisar interna e profundamente as causas das derrotas, ao invés de apenas acusar histericamente a suposta malandragem dos adversários; não basta se apresentar como arauto dos pobres, e ao mesmo tempo verter o fel da empáfia ou empunhar a bandeira do desprezo a quem sabe empreender economicamente.
Infelizmente não se pode dizer o mesmo sobre o Partido Democrático Trabalhista em Herval. Nessas poucas e porcas linhas não cabem um apanhado histórico mais preciso. Mesmo assim, me arrisco a dizer que o maior partido local, e mais do que isso, o partido que sempre escudou as lutas do povo pobre desta terra, parece ter perdido seu endereço na história, embrenhando-se perigosamente numa mata escura de histeria, miopia e malandrices. Suas principais lideranças, a quem se deve sempre respeitar, insistem em preferir o mito à realidade; à mística ao trabalho; a soberba à humildade. E isto não é de hoje.
Desta forma, o debate e a construção partidária perdem seu horizonte maior, político e politizador, restringindo-se ao culto incessante a feitos e líderes do passado, a tentativa absurda de defender o indefensável e finalmente ao jogo mesquinho de interesses pessoais. Assim, o partido além de perder a dimensão do seu dever histórico, perde também a identidade e a dinâmica que sempre o caracterizaram como partido.
Ou seja, o partido deixa de ser partido e se converte em religião da qual, quem dele se afasta, passa ser acusado de impuro, infiél ou traidor da causa (uma causa, neste caso, indefinida ou que busca saciar apetites particularistas). O partido perde também força ou mesmo a condição para agregar grupos ou sujeitos sociais em torno de uma visão clara e cristalina, de um projeto dignificante e civilizatório de sociedade, servindo apenas como vitrine para expor vaidades pessoais ou escudo para a pregação enfadonha e besta de que Herval só é Herval quando é ou tornar a ser administrado por um membro desta agremiação partidária.
Não tenho procuração do PDT para escrever sobre os casos e coisas desse partido e por tudo o que expus aqui é provável que minha pena seja tomada como golpe ou afronta, e não como alerta fraterno. Neste caso, lembro apenas que já alertei antes e, além de não ser ouvido, foi marcado na paleta como inimigo. Mas não tenho a pretensão de ser dono da verdade. De repente, o míope, histérico e incoerente seja eu. No entanto, meu compromisso e as marcas do povo pobre que carrego no corpo me convidaram a “meter o bedelho onde não sou chamado”.
Entendo que o partido em questão precisa olhar mais atentamente para si mesmo e, ao mesmo tempo, para o momento atual da disputa pelo poder local. Não se trata de rasgar a bandeira ou jogar no lixo sua história. Bem ao contrário. Trata-se apenas, como fez o PT no estado, de despir-se da prepotência e das ilusões, de respeitar as virtudes dos adversários e de traduzir na prática o insistente e estridente discurso de “liberdade, igualdade e fraternidade”. E, em termos políticos, empunhar forte e concretamente a bandeira republicana, como caminho na busca da reinvenção partidária e horizonte para o desenvolvimento da terra do Herval. Mas este é um assunto para outro momento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sessões da Câmara voltam a ser transmitidas pela rádio



As sessões da Câmara Municipal voltaram a ser transmitidas ao vivo pelas ondas da Rádio Comunitária Herval FM 104.9, semanalmente no horário das 18h às 20h. As transmissões foram retomadas no último dia 19/4, e atendem a um anseio antigo da maior parte da comunidade hervalense, que sempre cobrou a volta dessas transmissões.
Segundo o presidente do Legislativo Municipal, vereador Claudiomor Inhaia (PT), a retomada das transmissões das sessões legislativas pela Rádio era uma das metas da sua gestão. Claudio ainda salientou que esta é uma conquista de toda a comunidade, viabilizada a partir da contribuição de sete dos nove vereadores, os quais ratearam e irão arcar com o custo cobrado pela Rádio para levar ao ar a transmissão das sessões.
As sessões não vinham sendo transmitidas porque a legislação das rádios comunitárias impede que o Poder Legislativo custeie as despesas de transmissão com verbas do seu orçamento. Nesse sentido, a forma encontrada foi retomar tais transmissões com o valor cobrado sendo desembolsado pelos próprios vereadores.
O vereador Claudio ainda agradeceu à direção da Rádio pela cobrança de um valor acessível pelas transmissões. Por fim, ele enfatizou que este ato, além de assegurar maior transparência às ações do Legislativo, irá permitir um nível maior de informação a nossa população sobre os assuntos políticos, administrativos, econômicos, sociais e culturais do município.

Licença poética



Peço-lhes licença novamente para trazer à baila uns versos simples, mais uma vez arrancados do fundo do baú do meu ser e inspirados na minha musa imaginária:

Tua alma emana claridade e luz,
enquanto teu coração se derrama em afeto.

Teus passos conduzem às alturas do teu ser e
convidam a um vôo pelo céu incandescente do sorriso teu...

Teu brilho só não nota quem não quer.
Teu carinho só não sorve quem não sabe sentir...

E se é preciso poetar para falar de ti, é porque a palavra é pobre perto da tua alva presença
E também pela impossibilidade de colocar-te no hol dos relês mortais!

terça-feira, 19 de abril de 2011

A palavra é gente



O professor Osmar Hences tinha uma preocupação quase visceral com a cultura. Com a cultura não necessariamente em termos de erudição, mas enquanto capacidade criadora de um povo. Como aquilo que nos diferencia e, ao mesmo tempo, nos insere de forma única, soberana, no contexto cultural de todo o globo.
Segundo suas palavras, “cultura é o jeito de ser de um povo. Como ele fala, como se veste, como tempera sua comida, como enfeita sua casa, como recebe o estranho que chega. Neste sentido, não há povo sem cultura, como não há cultura sem povo”.
Uma de suas principais preocupações em relação à cultura foi sempre o resgate e a preservação da cultura linguística do nosso povo. Das expressões, palavras e ditos que traduzem e fazer luzir a nossa cultura.
Em razão disso, inauguro um novo espaço no blog do Toninho, voltado ao resgate/registro linguístico das falas que, se não são obrigatoriamente nascidas aqui, foram adotadas e calorosamente incorporadas ao falar deste chão. E o faço não como homenagem, mas como um modo de manter vivos os ensinos do “sor Osmar”, como também aquilo que é peculiar no nosso modo de dizer o mundo.
Para dar início a este espaço, vou compartilhar alguns escritos e, no mesmo instante, aproveitar o ensejo para pedir a vocês que me enviem coisas referentes ao tema proposto, de modo a ajudar-me no cumprimento desta tarefa:

- Frio de renguear cusco
- Se fazendo de leitão vesgo pra comê em dois cochos
- Pobre enquanto descansa carrega pedras
- Mais grosso do que dedão destroncado



(Contribua enviando expressões, ditos ou palavras para o email: toninhoveleda@yahoo.com.br)

Momento poético



Se te queres matar
(Fernando Pessoa)


Se te queres matar; por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chama da gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar; inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que esteja muito mais vivo além...
Depois, a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa a ligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamentemais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram se por acasos e fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva
És importante para ti porque só tu és importante pra ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De cédulas noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nadadas aparências,
Pela relva e erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Música para os meus ouvidos

Música para os meus ouvidos de hoje, nos trás uma palhinha da composição e voz singulares de Cartola.
Cartola: magistral, magnífico, majestoso e todos “ma” possíveis de elogiar seu talento.
Cartola, “o poeta das rosas”, que soube transformar as dores de uma vida tão adversa em obras-primas de amor, e nunca em raiva, inconformidade ou desesperação.
Viva Cartola! Viva a veia verdadeiramente poética do povo pobre deste imenso e maravilhoso país!!!

Rir é o melhor remédio

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Para não perder o tato



Há “lejos” ando retirado das rodas e dos papos estritamente partidários. Nem por isso abdiquei ou estou disposto a abdicar da condição de “animal político”, para me servir da surrada definição de Aristóteles. Não é isso.
Não creio ou propugno também que tal opção tenha me tornado um ser humano melhor. Não é este o ponto que pretendo chegar e, a bem da verdade, não tenho a pretensão de que meus escritos me façam aportar em algum canto.
Sim, existem lances no jogo político de causar asco, mas não é só na disputa política que o “homem é lobo do homem”.
Digo isto primeiramente para explicitar que minha opção foi motivada pela conclusão de que era chegada a hora de desfrutar um pouco a vida que existe fora da vida partidária (e aqui falo por mim, pois a maior parte das pessoas consegue militar partidariamente sem se tornar refém ou vassalo de um partido).
Digo-o, em segundo lugar, para esclarecer as razões do diálogo, manchado com as cores da disputa mesquinhamente partidária que hei de lhes contar a seguir:


Em conversa com um certo alguém, notadamente um próceres da proclamada maior agremiação partidária local, fui acusado de ter perdido a moral para me pronunciar em assuntos relativos ao jogo político.
Segundo ele, o meu afastamento do partido que sempre me escudou nas lutas partidárias, procedido logo após a corrida eleitoral e com o fim de atuar profissional e temporariamente no governo em curso no município, teriam representado não apenas a perda da linha política de esquerda, mas também da minha autoridade para agir ou manifestar opinião respeitável sobre o embate político-eleitoral.
Não quis apresentar argumentos de natureza filosófica, de modo a demonstrar a miopia ou mesmo o caráter autoritário do meu interlocutor. Preferi manter nosso debate no ringue político.
Desta forma, saquei da cartola algumas palavras leves e breves que, para minha surpresa, silenciaram-no ensurdecedoramente, colocando ponto final em nossa conversa.
Lembrei-lhe que seu partido, o qual ela julgara incoopitável pelo poder, promoveu (e isto foi logo ali) uma aliança eleitoral espúria com um partido de origem e natureza conservadoramente excludente, única e exclusivamente para retomar o poder. E conseguiu. Ou melhor, conseguiram, até que a casa caiu e no pagar das luzes o tal partido aliado levou a culpa pelas trapalhadas e gulodices do “partidão”!
Lembrei-lhe também, que os cabeças do seu partido quando eram governo não fizeram muito além de distribuir passes de mágica e agir com mãos de ferro. No primeiro caso, ora patrocinando permanentemente o espetáculo do pão e circo, ora alardeando feitos que nunca saíram do papel; e no segundo, tentando calar as vozes dissonantes na multidão.
Disse-lhe e torno a repetir: não aceitei ocupar cargo num governo composto por antigos adversários pelo cargo em si ou por estar premido por alguma violência. Não tenho o que lamentar ou me envergonhar por ter vivido esta experiência. Minha breve passagem pelo time da administração longe de representar a demissão de uma causa, serviu como oportunidade para afirmar princípios que não abri e não abro mão, como a decência que se alia a competência.
Perdoem-me o assunto de hoje. A intenção não é de (re) suscitar polêmicas nem retomar o tom. É só para não perder o tato com as coisas e casos da briga partidária. Vocês hão de me compreender!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nem só de pão viverá o homem

A fala e a imagem, comumente, nos tocam mais que a escrita.
Por essa razão, o espaço Nem só de pão viverá o homem de hoje, nos chega na forma de imagem e som, na voz amorosa e imortal de Chico Xavier.

Contrariedades, incoerências e avanços



A Câmara aprovou em sua última sessão ordinária, realizada no dia 12/4, o projeto que estabelece a nova estrutura administrativa e de cargos do Legislativo Municipal. Esta é a boa notícia.
A má notícia é que a velha política do apadrinhamento continuará a existir na Casa Legislativa hervalense, visto que a maioria dos vereadores não acatou a proposta de redução do número de cargos ocupados por servidores indicados para prestar serviço às bancadas. Nem mesmo a proposta de reduzir esses cargos para a próxima Legislatura foi aceita. Uma lástima, dirão muitos!
O mais lastimável ainda foi observar vereadores tão habituados a apontar o suposto toma lá dá cá alheio, não aceitando de forma nenhuma abrir mão do seu próprio toma lá dá cá. Ou como sugere a passagem bíblica, “eles enxergam o argueiro no olho do vizinho, mas não a trave que está em seu próprio olho”.
Contrariedades e incoerências a parte, o fato é que a aprovação do projeto representa um avanço, uma vez que ele além de adequar todos os cargos da Câmara Municipal aos preceitos constitucionais, prevê o provimento desses cargos a partir da realização de concurso público. São eles: assessor jurídico, assessor legislativo, tesoureiro e motorista.
Aguardemos agora que o projeto se transforme em lei, a partir da sanção do chefe do Poder Executivo, e que a direção da Casa crie as condições administrativas necessárias para honrar a realização do pretendido concurso público antes do final do corrente ano. Esta sim será uma notícia para comemorar por inteiro!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Música para os meus ouvidos

Eis que o blog do Toninho lhes apresenta e convida a partilhar mais um espaço.
Graças ao convívio com o saudoso amigo Osmar Hences, me tornei um amante da boa música. Amante instintivo e platônico, é verdade, sem maiores conhecimentos ou compromissos.
O fato é que “me gusta” e atrai a minha audição, a música que induz ou traduz ética e estética, amor e aversão, arte e arteirice, sepultamento e parto, mundaniedade e alma, embalo e introspecção e verbo, reverso e sonoridade e verso...
E para dar início ao momento MÚSICA PARA OS MEUS OUVIDOS, com vocês Maria Gadú:



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pitada filosófica



O blog do Toninho tem uma pitada de riso, uma pitada de poesia, uma pitada de transcendentalidade, uma pitada de notícias... Creio estar faltando uma pitada de filosofia. Não concordam?
Por esse motivo, inauguro um novo espaço neste meu (por que não dizer nosso) cantinho no “mundão virtual”, que será batizado de PITADA FILOSÓFICA. Convido a todos e todas a me acompanharem nesta breve e ao mesmo tempo profunda viagem pelo mundo do pensamento filosófico, viagem nem sempre dirigida pelos filósofos por formação, convicção ou “carteirinha”. Afinal de contas, a arte de filosofar, é uma arte humana que dispensa profissionalismos. Venham comigo, então!
E pra iniciar nossa viagem, chamemos o grande Mahtma Ghandi:

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita".

"A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável".

"A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível".

"Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo".

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome".

"Olho por olho, e o mundo acabará cego".

"Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Extra-extra!!!



Acabo de receber a notícia de que ganhei sozinho o prêmio acumulado da Mega Sena.
São nada mais, nada menos que R$ 40 milhões.
Aos meus colegas de trabalho, digo que 10% desta grana será dividida entre vocês, por aturarem as minhas chatices.
Aos meus familiares mais próximos, caberá a divisão de 30% desta bolada.
A metade do bolo, é claro, caberá ao meu amado e imortal Grêmio Porto-Alegrense, para por fim a nossa adesão à campanha craque nem pensar...
Enquanto eu ficarei com os 10% restantes.


Hehehehehehehehehe!!! Quem caiu, caiu; é 1º. de abril!!!!!

Momento poético



A FLAUTA VÉRTEBRA
(Vladimir Maiakóvski)

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

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