sexta-feira, 21 de maio de 2010

“Quem esquece da sua própria descoberta”?



No último dia 13/5 chegamos aos 3 anos de lançamento de UM LUGAR AO SUL: olhares indiscretos sobre o Herval. Livro de minha lavra que veio a lume como fruto de muitas “trocas” e “somas” de saberes que pude realizar.
Neste sentido, quero aqui registrar o importante empurrão dado pelo professor, hoje mestre em educação, Francisco da Costa Vieira (Chiquinho) para o desabrochar da minha “pena” ainda frágil.
Nunca irei esquecer da sua atitude de interesse e estímulo em relação às minhas manifestações postas no papel, que brotavam dos desafios propostos em suas aulas.
De um lado, os meus escritos invariavelmente borrados pelas dúvidas, medos e ímpetos juvenis. De outro, um professor preocupado em encontrar uma fresta no universo de um aluno que quase não abria a boca, mas que mostrava o gosto e uma certa desenvoltura para se comunicar por meio da palavra escrita.
Seu intento não era lapidar aquele esboço de escritor, mas pura e simplesmente estabelecer um ponto de contato com aquele aluno tímido, arredio e introspectivo, já marcado pela indiferença e que por isso mesmo parecia habitar o “mundo da lua”.
Pois esta sua ponte seria decisiva para que a escrita, ao invés de um veículo de fuga, fosse se tornando um instrumento de auto-afirmação e de comunicação das coisas que vertem das profundezas de mim mesmo e da minha realidade exterior.
Ao amigo Chiquinho o meu abraço caloroso e o meu mais sincero agradecimento. Se não fosse tua mão amiga e tua mente aberta eu não seria tantos sem deixar de ser eu mesmo!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Estímulo à doação de sangue


A Câmara Municipal aprovou nesta última terça-feira, por unanimidade, projeto de lei de iniciativa da bancada do Partido dos Trabalhadores que “concede a isenção parcial do pagamento de inscrição em concursos ou processos seletivos públicos municipais, aos candidatos que comprovadamente forem doadores de sangue”. A matéria agora precisa ser sancionada pelo chefe do Poder Executivo para entrar em vigor.
Segundo a justificativa da proposição, “a iniciativa visa estimular a prática da doação de sangue, por meio da oferta aos candidatos a um cargo permanente ou temporário na administração pública ou no Poder Legislativo, de uma isenção de 50% do pagamento do valor correspondente a sua taxa de inscrição nesses certames.
Desta forma, buscamos oferecer uma maior tranqüilidade não apenas aos cidadãos que precisem receber sangue, mas também a seus familiares, nessas horas geralmente tão difíceis e tão atribuladas.
Não raro, os familiares dos pacientes que necessitam de doação de sangue, se vêem obrigados a organizar, por conta própria, verdadeiras campanhas de sensibilização junto à sociedade em busca de doadores. Este corre-corre termina por despender uma energia preciosa dessas famílias, já bastante debilitadas em razão da enfermidade que acomete um de seus membros.
Apesar do êxito logrado pela maioria dessas campanhas de sensibilização, no que tange a localização dos doadores, não é difícil concluir que todo este esforço poderia ser ao menos diminuído, mediante o estímulo permanente à doação de sangue, com iniciativas como esta que ora apresentamos.
Por outro lado, ao pleitear um emprego público na esfera do município as pessoas normalmente habituadas a doar sangue, também teriam seu gesto de solidariedade reconhecido e recompensado”, conclui.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

“A pior dor da partida é a incerteza da volta”...



AO SENHOR
ILDO ROBERTO LEMOS SALABERRY
MD. PREFEITO MUNICIPAL
N/CIDADE

Senhor prefeito:

Tenho a honra de dirigir-me a Vossa Excelência para, ao cumprimentá-lo cordialmente, solicitar-lhe que seja procedida minha EXONERAÇÃO do cargo que ocupo na Secretaria Municipal de Saúde, sendo tal decisão de caráter irrevogável.
Agradeço pela enorme confiança em mim depositada, bem como pela oportunidade de trabalhar pelo bem do nosso povo, junto a esta pasta tão importante da administração municipal e na vida das pessoas. Do fundo do meu coração, meu muito obrigado!
Este trabalho me ofereceu valiosas lições não apenas no âmbito profissional, mas também para o meu espírito humano. É duro ver a angústia ou a dor alheia tão de perto e com tanta frequência. É gratificante poder estender a mão a quem não encontra onde se agarrar.
Herdamos uma Secretaria mal cuidada, em condições precárias de funcionamento, exatamente porque no passado ela fora demasiadamente desvirtuada em suas atribuições.
Assim, a obrigação legal de criar um padrão adequado – e preferencialmente no próprio município – no que tange aos serviços básicos de saúde, foi sendo convenientemente abandonada ou deixada para depois. Em seu lugar, uma epidemia de conveniências políticas.
De direito, a oferta de medicamentos, transporte social, agendamentos para tratamento fora do município, exames de diagnósticos, além de um padrão satisfatório de resolutividade nos atendimentos clínicos, em conformidade com as normas estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde. De fato, o que existia era uma rede paralela erguida ao redor da prestação pública ou conveniada dos serviços de saúde.
E numa Secretaria com poucos recursos humanos na área administrativa, esta concorrência indevida e ilegal com o SUS, teria o poder de precarizar ou até mesmo impedir algumas ações e serviços inscritos na sua lista de obrigações.
Por tudo isso, aqueles primeiros meses de gestão seriam pavorosos: uma enorme demanda represada por um lado; uma avalanche de demandas fora da alçada da Secretaria por outro.
O jeito seria trabalhar, trabalhar e trabalhar. Às vezes acumulando inúmeras funções. Às vezes entrando horas antes ou indo horas além do horário de expediente, sem perceber nenhum adicional por isso. Às vezes abrindo mão da convivência com a família ou do próprio descanso.
Tamanha carga, no entanto, gera um desgaste físico, emocional, mental.
Com muito trabalho e humildade, muitos desafios já foram vencidos. Outros tantos ainda precisam e deverão sê-lo.
Mas pelas razões expostas, não me sinto em condições de permanecer na linha de frente do seu enfretamento. Como diria o poeta, “o que há em mim é sobretudo cansaço”.
Sinto a necessidade de me dedicar a um trabalho que me permita conviver mais com os meus e realizar o sonho de retomar meus estudos.
Mas continuarei aqui, apoiando as iniciativas da administração que caminharem na direção da reconstrução do tecido administrativo e político do município, bem como daquelas que somarem forças e semearem conquistas para o povo hervalense.
Sem outro particular, reitero-lhe votos de agradecimento e elevada estima.

Herval, 11 de maio de 2010.

LUIZ ANTONIO VELEDA
Coordenador Municipal de Saúde.

sábado, 15 de maio de 2010

A responsabilidade com a saúde e a irracionalidade dos “boca braba”


A tarefa de administrar a Saúde no município não é leve nem pequena. São apenas 5 servidores para tocar uma Secretaria com mais de 50 profissionais de saúde e com uma demanda diária superior a uma centena de atendimentos. Além disso, a saúde é uma área naturalmente complicada, a qual os cidadãos recorrem quase sempre irritadiços e fragilizados pela dor da doença, exigindo soluções imediatas. É tudo para anteontem e o “cobertor” é sempre curto. Pra botar mais lenha nesta fogueira, não falta o bombardeio daqueles que colocam seus apetites partidários acima de tudo e de todos, inclusive da verdade dos fatos. Deste modo, a saúde sofre por problemas seus e também pelos problemas que são atribuídos a ela, que muitas vezes não passam de desespero de alguns oposicionistas mais irracionais.
O fato é que um governo nunca começa do zero, ele é sempre uma herança. E o estado precário no qual se encontrava a Secretaria da Saúde em 1º de janeiro de 2009, não deixa dúvidas de que a herança do novo governo não foi boa. Ou alguém já esqueceu do sucateamento dos veículos; da ambulância e do gabinete odontológico, adquiridos no apagar das luzes e dos quais não se deixou paga uma só parcela; do abandono do hospital; do computador novo recebido pelo Conselho Municipal de Saúde, que simplesmente “sumiu” das dependências da Secretaria (um fato que vem sendo apurado pela autoridade policial); das pendências deixadas relativas a dois meses de salários atrasados dos servidores da ESF, como também ao 13º salário desses profissionais referentes aos anos de 2007 e 2008; apenas para citar alguns exemplos.
Por tudo isso, a saúde está melhor hoje do que estava no passado, e para admitir isso não precisa ser partidário da administração. Basta ter um mínimo de bom senso ou grandeza política. Existem problemas? Eles existem, e não são poucos. O que é preciso reconhecer é que os problemas atuais da saúde em Herval são os mesmos problemas da saúde em todo o país; num Sistema universal, integral, gratuito, que é o único recurso de assistência para 70% da população. Mas como defende Claudiomiro Ambrosio, “o SUS apresenta desafios, vinculados à gestão de recursos humanos, à melhoria na qualidade da atenção e do acesso à saúde, à ampliação do aporte de recursos e à utilização dos mecanismos de maneira eficiente. Precisamos ajudá-lo, aperfeiçoá-lo, mas jamais prescindir dele”.
É bom lembrar que a irracionalidade oposicionista em nível nacional levou à derrubada da CPMF, retirando dos cofres da União cerca de R$ 40 bilhões que eram usados pelo governo no financiamento da saúde da população. Convém lembrar também que a governadora Yeda Crusius vem promovendo uma política perversa de desinvestimento, que além de sobrecarregar os municípios, deu ao RS o título inconveniente de Estado que menos investe em saúde; sendo aplicados neste setor tão essencial cerca de apenas 5% da arrecadação estadual, quando a lei determina um investimento mínimo de 12%.
Contrastando com esse quadro, a administração municipal vem fazendo a sua parte, dentro dos limites das suas atribuições, mesmo com uma herança negativa e com recursos limitados para atender problemas ilimitados. Desta forma, em pouco mais de um ano as contas estão em dia e a oferta de serviços e ações foi ampliada significativamente, com o investimento na saúde dos hervalenses chegando à casa dos 18% da receita própria da prefeitura, sendo que a obrigação seria aplicar 15%. Apenas por este fato a gestão atual da saúde já mereceria ser respeitada.
Defender a saúde pública e a população que depende dela, é fazer exatamente o oposto do praticado pelas “velhas prostitutas” que agora pregam castidade: é ser propositivo, honesto e agregador. É ter visão para enxergar a engrenagem da saúde como um todo, e não promover um festival de demagogias ou calúnias, com base em falhas pontuais ou vontades particularistas. Fazer oposição é legítimo e necessário, o que não se pode admitir é o gesto covarde de distorcer atos e palavras ou de inventar defeitos para criticar, sem ao menos abrir espaço para o contraditório. Paixão política tem limites, sendo tais limites impostos pela lei, pelo respeito à verdade e pela própria racionalidade. A boa notícia é que microfone em “boca braba” tende a servir menos como arma e mais como uma armadilha.